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Como Declarar o Uso de IA na Tese em 2026: Modelo de Declaração de Integridade (Guia Ético)

Como Declarar o Uso de IA na Tese em 2026: Modelo de Declaração de Integridade (Guia Ético)

Terminaste a tese, ou estás prestes a entregá-la, e durante o processo recorreste ao ChatGPT para rever um parágrafo, ao DeepL para traduzir uma citação ou ao Grammarly para corrigir o inglês do abstract. A questão que fica — e que cada vez mais estudantes colocam aos orientadores — é esta: como declarar o uso de IA na tese, e é realmente obrigatório fazê-lo? A resposta é quase sempre sim, e a forma como o fazes pode determinar a diferença entre transparência honesta e uma infração disciplinar silenciosa.

Desde 2024, as principais universidades portuguesas — incluindo a Universidade de Lisboa, o ISCTE, a Universidade do Porto e a Universidade Lusófona — publicaram orientações que tornam obrigatória a declaração do uso de ferramentas de inteligência artificial generativa nos trabalhos académicos. Ignorar essa obrigação não faz desaparecer o risco; aumenta-o, porque a omissão é em si mesma considerada uma quebra de integridade académica, independentemente do tipo de uso que fizeste.

Resposta rápida: Para declarar o uso de IA na tese em 2026, inclui uma página ou parágrafo dedicado — antes do índice ou na secção de metodologia — que indique quais ferramentas usaste, para que tarefas concretas e em que partes do trabalho. Confirma que a análise, os dados, a interpretação e as conclusões são da tua autoria. Usa o modelo de declaração adaptável que encontras neste guia.

Porque é que as universidades exigem a declaração

A exigência de declaração de uso de IA não surgiu do nada. Tem raízes no princípio mais antigo da academia: a autoria deve ser verificável, e qualquer contribuição externa — humana ou automatizada — deve ser identificada. O que mudou é a escala e a facilidade de acesso: as ferramentas generativas tornaram-se suficientemente acessíveis e potentes para produzir texto académico coerente, o que obrigou as instituições a clarificar o que conta como contribuição do estudante e o que não conta.

A Universidade Lusófona aprovou, em novembro de 2023, um documento de orientação sobre Integridade Académica e o Uso de Instrumentos de Inteligência Artificial, que distingue claramente entre uso permitido — com declaração e supervisão do docente — e uso não permitido — que substitui a autoria intelectual do estudante. A FCT-NOVA publicou um documento semelhante no âmbito do seu modelo de utilização responsável de IA generativa, exigindo que o estudante explicite, por escrito, quais ferramentas utilizou e de que forma.

O ponto central é este: a declaração não é uma punição — é uma salvaguarda. Permite que o orientador e o júri avaliem o trabalho com pleno conhecimento do processo criativo e metodológico. Omitir o uso equivale a deixar uma lacuna na cadeia de responsabilidade que, se detetada, pode ter consequências disciplinares mais graves do que o próprio uso declarado teria.

O que deve constar da declaração

Ilustração de uma declaração formal de uso de IA na tese, com uma lista de verificação de ferramentas e a assinatura do autor
Uma declaração eficaz identifica a ferramenta, a tarefa concreta e a parte do trabalho em que foi utilizada — é a prova da tua transparência académica.

Uma declaração eficaz e eticamente sólida responde a três perguntas: quais ferramentas?, para que tarefas? e em que partes do trabalho? Não chega escrever “usei IA” — o grau de especificidade pedido pelas normas emergentes de 2025–2026 é consideravelmente maior.

Quais ferramentas identificar

Indica o nome comercial da ferramenta, a versão (quando disponível) e, se possível, a data aproximada de uso. Ferramentas que devem ser declaradas incluem:

  • Geração e redação de texto: ChatGPT (OpenAI), Claude (Anthropic), Gemini (Google), Copilot (Microsoft), Tesify
  • Revisão gramatical e estilística: Grammarly Premium, LanguageTool
  • Tradução: DeepL, Google Translate
  • Pesquisa bibliográfica assistida por IA: Elicit, Consensus, Perplexity
  • Formatação automática de referências: CitationMachine, MyBib

Para que tarefas

Especifica a função concreta, não apenas a ferramenta. “Usei o ChatGPT para rever a gramática do abstract” é muito mais transparente do que simplesmente “usei o ChatGPT”. As categorias de uso de apoio mais frequentes são:

  • Revisão linguística, gramatical e ortográfica
  • Reformulação estilística de parágrafos previamente redigidos pelo estudante
  • Pesquisa bibliográfica preliminar, com posterior verificação das fontes
  • Tradução de citações ou excertos de outras línguas
  • Formatação automática de referências bibliográficas
  • Elaboração de um esboço inicial de estrutura, posteriormente desenvolvido e reescrito pelo estudante

Em que partes do trabalho

Se o uso foi limitado a uma secção — por exemplo, apenas o abstract em inglês — diz-o explicitamente. Se foi transversal a todo o documento, indica-o igualmente. A especificidade protege-te: demonstra que tens consciência do que fizeste e em que medida o trabalho intelectual permanece teu.

Onde colocar a declaração na tese

A localização mais comum é nas páginas pré-textuais, a seguir à declaração de originalidade (ou de autoria) e antes do índice. Algumas universidades aceitam que a declaração de uso de IA seja integrada na própria declaração de originalidade, numa subsecção dedicada. Outras preferem um documento separado com título próprio.

Se a tua instituição não especifica a localização, estas são as duas posições mais adequadas:

  1. Página pré-textual independente — intitulada “Declaração de Uso de Inteligência Artificial” — imediatamente antes do índice. Esta opção oferece visibilidade máxima ao júri e ao orientador.
  2. Nota na secção de Metodologia — num parágrafo dedicado no final do capítulo metodológico. Esta opção enquadra o uso dentro do processo de investigação e é adequada quando o uso foi exclusivamente de suporte técnico.

Seja qual for a localização escolhida, consulta o regulamento de dissertações da tua faculdade antes de decidir. Algumas unidades orgânicas já dispõem de formulários próprios ou de campos obrigatórios na folha de rosto onde esta informação deve constar.

Modelo de declaração pronto a adaptar

O texto seguinte é um modelo que podes adaptar diretamente à tua situação. Substitui os campos entre parênteses retos pela informação correta do teu trabalho. Se utilizaste várias ferramentas, repete o bloco de pontos para cada uma.

DECLARAÇÃO DE USO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

No âmbito da presente [dissertação de mestrado / tese de licenciatura / trabalho de projeto] intitulada [Título completo do trabalho], o(a) estudante [Nome Completo] declara ter recorrido às seguintes ferramentas de inteligência artificial generativa:

  • [Nome da ferramenta — ex.: ChatGPT, OpenAI, versão GPT-4o, maio de 2026] — utilizada para [revisão gramatical e ortográfica do abstract em inglês / organização preliminar das ideias do capítulo de enquadramento teórico / formatação das referências bibliográficas em norma APA 7].
  • [Nome da segunda ferramenta — ex.: DeepL, versão Pro, março de 2026] — utilizada para [tradução de citações do francês para o português, posteriormente verificadas pelo(a) autor(a)].

Todo o conteúdo intelectual da presente [dissertação/tese] — incluindo a formulação das hipóteses ou questões de investigação, a recolha e análise dos dados, a interpretação dos resultados e as conclusões — é da exclusiva responsabilidade do(a) autor(a) e não foi gerado por qualquer ferramenta de inteligência artificial. A utilização das ferramentas acima referidas circunscreveu-se a tarefas de apoio técnico e não substituiu o trabalho de investigação original.

O(A) autor(a) assume plena responsabilidade pela exatidão, originalidade e integridade do conteúdo final, incluindo o de qualquer secção que tenha beneficiado de assistência de IA.

[Local], [data]

___________________________
[Nome Completo]

Nota: Se não recorreste a qualquer ferramenta de IA durante a elaboração do trabalho, inclui uma declaração negativa simples: “O(A) autor(a) declara não ter recorrido a qualquer ferramenta de inteligência artificial generativa na elaboração do presente trabalho.” Esta declaração é igualmente recomendada, porque elimina toda a ambiguidade para o júri.

Uso aceitável vs. uso não aceitável

Ilustração comparativa entre uso aceitável e não aceitável de inteligência artificial numa tese académica, com símbolos de verificação e exclusão
Uso de IA numa tese: a linha entre o apoio técnico legítimo (revisão linguística, tradução, formatação) e a substituição da autoria intelectual (redação de capítulos, análise de dados).

Declarar o uso de IA não torna automaticamente esse uso legítimo. Há tarefas em que a IA é um apoio válido e outras em que a sua utilização viola os princípios da autoria académica — independentemente de seres transparente ou não sobre o uso. A tabela seguinte resume os casos mais comuns.

Tarefa Geralmente aceitável Geralmente não aceitável
Revisão gramatical e ortográfica
Tradução de citações (verificadas pelo autor)
Formatação de referências bibliográficas
Pesquisa bibliográfica preliminar (fontes verificadas depois)
Esboço de estrutura inicial, reescrito pelo estudante ✓ (com declaração)
Redação integral de capítulos ou secções
Análise de dados ou interpretação de resultados por IA
Referências bibliográficas geradas por IA sem verificação
Conclusões redigidas ou reformuladas integralmente por IA

Para uma análise mais aprofundada do que as universidades portuguesas permitem e proíbem concretamente, consulta Pode Usar IA para Escrever a Tese? O Que Dizem as Regras em 2026.

Transparência com o orientador

A declaração escrita é necessária, mas a conversa com o orientador deve acontecer antes de entregares — idealmente assim que começares a usar qualquer ferramenta de IA de forma sistemática. As razões são práticas:

  • Cada faculdade tem critérios próprios. O orientador conhece os regulamentos internos da sua unidade orgânica — por vezes mais restritivos do que as orientações gerais da universidade — e pode indicar-te exatamente o que é e o que não é permitido no teu programa específico.
  • A surpresa no júri é o pior cenário. Se o júri detetar sinais de uso de IA durante a prova e não existir uma declaração prévia discutida com o orientador, a omissão pode ser interpretada como ocultação deliberada, com consequências mais graves do que o próprio uso teria.
  • O orientador pode ajudar a formular a declaração. Em muitos casos, os orientadores têm modelos preferidos ou frases que se alinham com as expectativas do júri da faculdade.

Uma breve nota de email ou uma observação na reunião de acompanhamento é suficiente: “Utilizei o [ferramenta] para [tarefa específica]. Pretendo declarar isso na página de integridade académica. Há algum formato que a faculdade prefira?” Esta postura demonstra maturidade académica e elimina a maioria dos riscos antes que se materializem.

Autoverificação antes de entregar

Mesmo que o teu uso de IA tenha sido estritamente de apoio técnico, vale a pena verificar se o texto final da tese mantém a tua voz e não apresenta formulações que possam ser sinalizadas por detetores automáticos ou pela leitura atenta do júri. Um uso ético de IA na tese pressupõe que és capaz de defender cada parágrafo na prova oral — e isso começa por garantires que o texto é genuinamente teu.

O Tesify inclui uma funcionalidade de verificação de originalidade que te permite confirmar, antes da entrega, que o texto que submetes não levanta dúvidas de autoria — sem dependeres de ferramentas externas com custos elevados ou políticas de dados pouco transparentes. Podes usar o Tesify como ferramenta de autoverificação e, simultaneamente, declarar esse uso na tua declaração de integridade, o que é totalmente consistente com as orientações das universidades portuguesas. Para comparares as opções disponíveis, consulta também o artigo sobre o melhor verificador de plágio em 2026. Para aprofundares a questão de quando o uso de IA configura ou não uma infração académica, a Tesify publicou também um guia sobre se é plágio usar IA na tese de mestrado com análise das políticas das universidades portuguesas e brasileiras.

Perguntas Frequentes

É obrigatório declarar o uso de IA na tese em Portugal?

Depende da instituição, mas a tendência em 2026 é de obrigatoriedade crescente. A Universidade Lusófona, a FCT-NOVA e diversas outras instituições já publicaram regulamentos que tornam a declaração obrigatória. Mesmo onde não existe regulamentação formal, a omissão pode ser interpretada como falta de transparência e levada em conta na avaliação. A recomendação é declarar sempre, independentemente do nível de uso.

Tenho de declarar o uso do Grammarly ou do DeepL?

Sim. O Grammarly e o DeepL são ferramentas assistidas por IA e devem ser declaradas. Embora o impacto no texto seja menor do que o de ferramentas de geração completa como o ChatGPT, o princípio de transparência aplica-se igualmente. Indica o nome da ferramenta e a finalidade: “revisão gramatical do abstract em inglês” ou “tradução de citações do francês”.

E se o regulamento da minha universidade não mencionar a IA?

A ausência de regulamento específico não equivale a permissão tácita. O princípio geral da integridade académica — que exige identificar toda a contribuição externa significativa — aplica-se a qualquer tipo de assistência, incluindo a IA. Nestes casos, consulta o orientador, inclui a declaração nas páginas pré-textuais e fica com registo da conversa.

A declaração de uso de IA vai prejudicar a minha nota?

Não, se o uso foi legítimo. A declaração demonstra responsabilidade e maturidade académica — qualidades que os júris reconhecem e valorizam. O que pode prejudicar a avaliação é o uso não declarado, especialmente se o júri detetar padrões de texto gerado por IA durante a prova oral. Ser transparente protege-te.

Como citar as ferramentas de IA que usei na bibliografia?

A declaração de uso de IA é diferente da citação bibliográfica. Se utilizaste saídas da IA como material de referência no corpo da tese, deves citá-las. O formato em APA 7 inclui o nome do modelo, a organização, o ano e a URL de acesso. Consulta o guia completo sobre como citar o ChatGPT e IA generativa em APA 7 para os formatos exatos.

Posso usar IA para escrever partes da tese se declarar esse uso?

A declaração não torna automaticamente legítimo qualquer uso. A redação integral de capítulos, a análise de dados ou a formulação de conclusões por IA — mesmo que declarada — pode constituir violação dos princípios de autoria académica. O que a declaração torna legítimo é o uso de apoio técnico: revisão linguística, formatação de referências, tradução de citações verificadas.

Verifica a originalidade da tua tese antes de entregar

A transparência começa antes da entrega. O Tesify ajuda-te a verificar a originalidade do teu texto — e a identificar eventuais passagens que possam levantar dúvidas de autoria — para que chegues à prova com a consciência tranquila. Uma ferramenta de apoio ético, nunca de contorno.

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