Concurso Nacional de Acesso 2026: Guia de Candidatura e Médias

Concurso Nacional de Acesso 2026: Guia de Candidatura e Médias

O Concurso Nacional de Acesso (CNA) é o processo central pelo qual dezenas de milhares de candidatos em Portugal se candidatam anualmente ao ensino superior público. Em 2026, o processo sofreu uma alteração relevante: a maioria dos cursos passou a exigir apenas uma prova de ingresso, revertendo a medida de 2025 que obrigava a dois exames nacionais. Se estás a preparar a candidatura para o ano letivo 2026/2027, este guia explica tudo o que precisas saber — datas, fórmula de cálculo, médias de acesso e estratégia de escolha de opções.

A entidade responsável pelo CNA é atualmente o Instituto para o Ensino Superior (IES, I.P.), que sucedeu à Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) no âmbito da modernização da administração pública portuguesa. Toda a documentação oficial e a plataforma de candidatura online continuam disponíveis em dges.gov.pt.

A candidatura ao CNA decorre em três fases ao longo de julho, agosto e setembro. Perceber o calendário, a fórmula de nota e a lógica de colocação pode fazer a diferença entre ficar numa das primeiras opções ou aguardar fases seguintes — por isso convém preparar a candidatura com antecedência e conhecimento de causa.

Resposta Rápida

O Concurso Nacional de Acesso 2026 abre candidaturas em julho (1.ª fase: 20 jul – 6 ago). A nota de candidatura combina a classificação final do secundário (mínimo 40%) com as provas de ingresso (mínimo 45%). Em 2026, a maioria dos cursos exige apenas uma prova de ingresso. Os resultados da 1.ª fase são publicados a 23 de agosto.

O Que É o Concurso Nacional de Acesso

O Concurso Nacional de Acesso é o regime geral de entrada no 1.º ciclo (licenciatura) e em cursos técnicos superiores profissionais (TeSP) do ensino superior público em Portugal. Funciona como um sistema centralizado gerido pelo IES, I.P., onde candidatos de todo o país concorrem simultaneamente às vagas disponíveis nas universidades e institutos politécnicos públicos.

Na candidatura, cada estudante pode indicar até seis pares curso/instituição por ordem de preferência. O sistema tenta colocar o candidato na opção mais elevada para a qual a sua nota de candidatura seja suficiente face à média estabelecida pelo último colocado nesse curso e nessa fase. Os dados do IES mostram que, historicamente, a grande maioria dos candidatos colocados fica logo na primeira ou segunda opção — o que reforça a importância de ordenar as opções com rigor e estratégia.

Além do regime geral, existem contingentes específicos com vagas reservadas para determinados perfis de candidatos:

  • Emigrantes, familiares e lusodescendentes: com prazo de candidatura diferente dentro da 1.ª fase
  • Candidatos com deficiência: vagas próprias em cada curso
  • Naturais das Regiões Autónomas: contingente regional para cursos nas ilhas
  • Maiores de 23 anos: regime especial com provas de avaliação de capacidade próprias de cada instituição
  • Titulares de curso superior: podem candidatar-se ao CNA ou a concursos locais das instituições

Cada um destes contingentes tem regras, prazos e procedimentos específicos, pelo que é fundamental verificar no guia oficial a que contingente se pertence antes de iniciar a candidatura. Ingressar no ensino superior é o primeiro passo de um percurso académico que culmina frequentemente numa tese ou dissertação — o guia Como Fazer uma Tese em 2026: Guia Completo do Início ao Fim dá-te uma visão antecipada do que vai ser exigido no final do curso.

Novidades de 2026: Uma Prova de Ingresso Obrigatória

A principal alteração do CNA 2026 face ao ano anterior é o regresso à obrigatoriedade de apenas uma prova de ingresso para a maioria dos cursos. Em 2025, os candidatos eram obrigados a realizar dois exames nacionais, o que provocou uma quebra significativa no número de candidatos — uma barreira que o governo considerou desproporcionada para o objetivo de garantir acesso qualificado ao ensino superior.

A medida foi revertida para o ciclo 2026/2027, tornando o acesso mais acessível sem abdicar dos requisitos de qualidade. Cada instituição mantém a possibilidade de exigir provas adicionais para cursos onde a formação prévia em áreas específicas é considerada essencial — como Engenharia, Medicina, Direito ou Ciências. Convém verificar as condições de candidatura de cada curso no Guia da Candidatura 2026 antes de planear os exames a realizar.

Outra novidade institucional relevante é a transição da DGES para o Instituto para o Ensino Superior (IES, I.P.). Embora o nome da entidade tenha mudado, os procedimentos, plataformas e calendários mantêm-se semelhantes aos anos anteriores. As plataformas online de candidatura e consulta de resultados continuam no mesmo endereço em dges.gov.pt.

Como É Calculada a Nota de Candidatura

A nota de candidatura (NC) resulta da combinação ponderada de dois componentes obrigatórios, podendo existir um terceiro componente em cursos que exijam pré-requisitos:

  • Classificação Final do Ensino Secundário (CFS): peso mínimo de 40%, nunca superior ao peso das provas de ingresso
  • Provas de Ingresso (PI): peso mínimo de 45%
  • Pré-requisitos (quando aplicável): peso máximo de 15%

Na prática, a fórmula geral é:

NC = (CFS × peso_CFS) + (PI × peso_PI) [+ (Pré-req × peso_PR)]

O valor da nota de candidatura é calculado numa escala de 0 a 200 valores. Os pesos exatos variam por curso e instituição, dentro dos limites legais definidos. Por exemplo, um curso pode aplicar 50% à CFS e 50% às provas de ingresso, enquanto outro aplica 40% à CFS e 60% às provas.

Além da nota de candidatura, cada curso define uma nota mínima de ingresso nas provas — tipicamente fixada entre 95 e 120 valores. Abaixo deste valor mínimo, o candidato não pode ser colocado nesse curso, independentemente da nota final de candidatura. Este critério elimina candidaturas onde a nota do secundário compensa um desempenho muito fraco nos exames.

Os cursos com pré-requisitos — aptidões físicas, motoras ou técnicas específicas — incluem áreas como Música, Arquitetura, Desporto, Artes Plásticas e alguns cursos de saúde. As provas de pré-requisitos são realizadas nas próprias instituições, geralmente em datas anteriores ao período de candidatura do CNA.

Calendário e Fases de 2026

O CNA 2026 decorre em três fases, com a grande maioria das colocações a ocorrer na 1.ª fase. O calendário foi aprovado por Despacho n.º 6934/2026, publicado em Diário da República a 1 de junho de 2026, e é o seguinte:

Fase Candidatura Resultados Matrícula
1.ª Fase 20 jul – 6 ago 23 agosto 24–27 agosto
2.ª Fase 24 ago – 2 set 13 setembro 14–16 setembro
3.ª Fase 22–24 setembro 30 setembro 30 set – 2 out

Para os candidatos que se candidatam pelo contingente de emigrantes, familiares e lusodescendentes, ou que solicitam substituição de provas por exames estrangeiros, a candidatura à 1.ª fase decorre entre 20 e 27 de julho. Consulta o calendário oficial do CNA 2026 em dges.gov.pt para confirmares eventuais ajustamentos.

Após a publicação dos resultados de cada fase, existe um período de reclamação — geralmente de dois a três dias — para contestar erros na nota de candidatura ou na colocação. Os candidatos colocados que não confirmem a matrícula dentro do prazo são automaticamente eliminados do concurso nessa fase, mas podem candidatar-se à fase seguinte.

Médias de Acesso ao Concurso Nacional de Acesso: O Que Esperar em 2026

As médias de acesso — também chamadas notas do último colocado — variam substancialmente entre cursos e instituições, e oscilam de ano para ano em função do número de candidatos, dos resultados dos exames e das vagas disponíveis. Os valores históricos servem de referência, mas nunca garantem o resultado de uma candidatura específica.

De forma orientadora, os cursos podem agrupar-se em quatro níveis de competitividade, com base nos padrões históricos registados no índice de cursos do IES:

Nível de competitividade Exemplos típicos Nota indicativa do último colocado
Muito elevado Medicina, Engenharia Aeroespacial, MAEG (ISEG) Acima de 175
Elevado Direito (Lisboa/Porto/Coimbra), Farmácia, Engenharia Informática 150–175
Médio Psicologia, Comunicação, Turismo, Economia, Gestão 120–150
Mais acessível Humanidades, Educação, Línguas, muitos cursos politécnicos Abaixo de 120

Os valores exatos do último colocado para cada par curso/instituição — incluindo os dados históricos de 2025 — estão disponíveis na ferramenta de índice de cursos do IES/DGES. As médias definitivas de 2026 serão publicadas após o encerramento da 1.ª fase, em agosto de 2026.

Para cursos fora do topo competitivo, as médias descem consideravelmente. Muitos cursos de humanidades, ciências sociais, línguas e educação apresentam médias abaixo de 130 valores, o que abre oportunidades a candidatos com notas medianas. A pesquisa histórica no índice de cursos do IES permite comparar o comportamento de cada par curso/instituição ao longo de vários anos.

Como Escolher as Seis Opções

A estratégia de candidatura é tão determinante quanto a nota obtida. Usar bem as seis opções disponíveis pode maximizar as hipóteses de colocação. Seguem-se as orientações mais úteis:

  • Coloca a tua opção de sonho em primeiro lugar, mesmo que a média histórica seja superior à tua nota esperada. O sistema tenta sempre colocar-te na opção mais alta onde a nota seja suficiente, sem penalizar por colocar opções ambiciosas primeiro.
  • Inclui opções com médias variadas. Mistura três ou quatro opções mais competitivas com duas ou três mais acessíveis, para garantir que ao menos uma opção segura está na lista.
  • Não repitas automaticamente o mesmo curso em várias instituições. Avalia qual a instituição onde a tua nota é mais competitiva, mas também onde o plano curricular e as condições de vida (localização, alojamento, propinas) te satisfazem.
  • Verifica as provas de ingresso exigidas por cada curso. Cada par curso/instituição pode aceitar provas diferentes — garante que tens as provas realizadas com nota válida antes de incluir esse curso na candidatura.
  • Consulta o histórico de três a quatro anos. Perceber se um curso está a tornar-se mais ou menos concorrido ajuda a posicionares as opções com maior precisão.
  • Considera o curso e a instituição em conjunto. A reputação do curso na instituição específica, os projetos de investigação disponíveis e as saídas profissionais são critérios tão importantes quanto a média de entrada.

Se ficares colocado na 1.ª fase e confirmares matrícula, deixas de poder candidatar-te às fases seguintes. Se optares por não confirmar a matrícula, ou não ficares colocado, podes candidatar-te à 2.ª fase, podendo alterar as opções de curso e instituição.

Propinas e Bolsas de Estudo

Após a colocação, uma das principais preocupações dos candidatos e famílias é o custeamento do curso. O regime de propinas no ensino superior público é regulado por lei, com valores máximos indexados ao Indexante dos Apoios Sociais (IAS). Cada instituição define os seus valores dentro dos limites legais.

Para estudantes com constrangimentos económicos, a principal fonte de apoio é a bolsa de ação social escolar, atribuída pelos Serviços de Ação Social (SAS) de cada instituição e gerida pelo sistema do IES. A candidatura deve ser realizada anualmente, geralmente entre março e maio para o ano letivo seguinte, com a documentação de rendimentos familiares exigida.

Além das bolsas sociais, a bolsa de mérito é atribuída a estudantes com desempenho académico excecional, também gerida pelo IES. Para pós-graduação e investigação, as bolsas da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) para doutoramento são as mais relevantes no sistema português.

Candidatos de países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) e do Brasil podem ter acesso a regimes especiais de candidatura e bolsas específicas geridas por acordos bilaterais. A Direção-Geral da Educação e o IES disponibilizam informação detalhada sobre estes programas.

Após a Colocação: Matrícula e Próximos Passos

Após a publicação dos resultados, os candidatos colocados têm um prazo de três a quatro dias para confirmar a matrícula na instituição. Neste processo é normalmente necessário apresentar certidão de habilitações do ensino secundário, documento de identificação, fotografia e, em alguns casos, comprovativos de requisitos específicos ou do contingente de candidatura.

A confirmação de matrícula não é automática — tens de aceder ao portal da instituição ou deslocar-te presencialmente para completar o processo. Falhar este prazo equivale a perder o lugar na 1.ª fase.

Uma vez integrado no ensino superior, o percurso de licenciatura dura geralmente três anos. No final, muitos cursos exigem uma monografia, projeto ou relatório de estágio. Os mestrados integrados — como Medicina, Engenharia, Direito ou Arquitetura — combinam os dois ciclos num percurso mais longo e terminam com uma dissertação. Para perceber desde já como funciona esse processo de escrita final, o artigo Como Escrever a Tese com IA em 2026: Guia Prático e Ferramentas explica o que é permitido e como tirar partido das ferramentas digitais sem comprometer a integridade académica.

A componente metodológica é outro pilar central de qualquer trabalho final. Perceber se a tua investigação será qualitativa, quantitativa ou mista define toda a estrutura de análise — o guia sobre metodologia de investigação para a tese orienta-te pelos principais paradigmas e métodos usados nas universidades portuguesas. No mesmo sentido, a revisão da literatura é uma das fases mais exigentes de qualquer projeto académico: o artigo Como Fazer uma Revisão de Literatura Passo a Passo detalha como pesquisar, selecionar e sintetizar fontes de forma rigorosa.

A escrita académica em Portugal segue convenções formais específicas: as referências bibliográficas seguem maioritariamente as normas APA 7 ou as normas da própria instituição. O guia Normas APA 7 em 2026: Guia Completo de Citação e Referências é uma referência rápida e atualizada para evitar erros nas citações e na lista bibliográfica final.

Para candidaturas a mestrados de 2.º ciclo após a licenciatura, o processo é distinto do CNA: cada instituição gere os seus próprios concursos de admissão, com critérios, prazos e, em muitos casos, entrevistas e análise de portfólio. As Universidades de Lisboa, Porto, Coimbra, NOVA e Minho publicam os seus calendários de candidatura a mestrados nos respetivos sites institucionais, geralmente entre março e junho para o início de cada ano letivo.

Perguntas Frequentes

Quando decorrem as candidaturas do CNA 2026?

A 1.ª fase decorre entre 20 de julho e 6 de agosto de 2026, com resultados a 23 de agosto e matrícula entre 24 e 27 de agosto. A 2.ª fase vai de 24 de agosto a 2 de setembro (resultados a 13 de setembro) e a 3.ª fase ocorre entre 22 e 24 de setembro (resultados a 30 de setembro). Consulta sempre o calendário oficial em dges.gov.pt para confirmares eventuais ajustamentos após publicação em Diário da República.

Quantas opções posso escolher na candidatura ao CNA?

Podes indicar até seis pares curso/instituição por ordem de preferência. O sistema tenta colocar-te na opção mais elevada onde a tua nota de candidatura seja suficiente. Convém usar sempre as seis opções disponíveis, misturando opções ambiciosas com outras mais acessíveis para maximizar as hipóteses de colocação.

Como é calculada a nota de candidatura ao Concurso Nacional de Acesso?

A nota de candidatura combina a Classificação Final do Ensino Secundário (peso mínimo de 40%) com as Provas de Ingresso (peso mínimo de 45%). Em 2026, a maioria dos cursos exige apenas uma prova de ingresso. Os pré-requisitos, quando existam, podem ter um peso máximo de 15%. A escala vai de 0 a 200 valores.

O que mudou no Concurso Nacional de Acesso em 2026?

A principal novidade de 2026 é o regresso à exigência de apenas uma prova de ingresso para a maioria dos cursos, revertendo a exigência de dois exames que vigorou em 2025. Além disso, a DGES foi substituída pelo Instituto para o Ensino Superior (IES, I.P.) como entidade gestora de todo o processo de acesso ao ensino superior em Portugal.

O que acontece se não for colocado na 1.ª fase do CNA?

Podes candidatar-te à 2.ª fase (agosto/setembro) e, se necessário, à 3.ª fase (setembro/outubro). Em cada fase podes rever e alterar as tuas opções de curso e instituição. Podes também candidatar-te a concursos locais de instituições de ensino superior privado ou a alguns politécnicos que realizem concursos independentes do regime geral.

Existe nota mínima para entrar na universidade pelo CNA?

Sim. Cada curso define uma nota mínima de ingresso nas provas (geralmente fixada entre 95 e 120 valores, na escala de 0 a 200). Abaixo deste valor mínimo, o candidato não pode ser colocado nesse curso, mesmo que a nota final de candidatura seja tecnicamente suficiente. Verifica sempre as condições de candidatura de cada par curso/instituição no guia oficial da candidatura publicado pelo IES.