Uso de IA na Universidade: Estatísticas e Dados de 2026
Quase dois em cada três jovens europeus com idades entre os 16 e os 24 anos usaram ferramentas de inteligência artificial generativa em 2025, segundo dados do Eurostat. Em Portugal, esse valor sobe ainda mais: 76,5% dos jovens desta faixa etária já recorrem à IA — colocando o país claramente acima da média europeia. O uso de IA na universidade tornou-se, em poucos anos, uma realidade estatisticamente maioritária. Esta página compila os dados mais recentes sobre adoção, ferramentas, fins e políticas institucionais em Portugal e na Europa, com fontes identificadas e verificáveis.
Os números mais recentes revelam que a questão já não é se os estudantes usam IA, mas como e em que medida. A um estudante que prepara a sua tese ou dissertação, compreender este panorama ajuda a tomar decisões informadas — sobre as ferramentas que escolhe, os limites que as instituições impõem e as boas práticas que deve seguir.
Panorama europeu: dados do Eurostat (2025)
O Eurostat publicou em fevereiro de 2026 dados relativos a 2025 que confirmam uma tendência estrutural: os jovens europeus são os utilizadores mais activos de IA generativa. Entre os 16 e os 24 anos, 63,8% dos cidadãos da UE usaram ferramentas de IA generativa — quase o dobro da taxa registada para a população geral (32,7% para a faixa dos 16–74 anos).
Mais relevante para o contexto académico é a repartição por finalidade: 39,3% dos jovens europeus utilizaram IA para fins de educação formal, contra apenas 9,4% na população geral. Este valor coloca o ensino superior no centro da adoção de IA, muito à frente do uso profissional (15,8% nos jovens). A implicação é clara: a IA no contexto académico não é um fenómeno marginal — é uma prática dominante entre os actuais estudantes universitários.
| País | % que usa IA generativa |
|---|---|
| Grécia | 83,5% |
| Estónia | 82,8% |
| República Checa | 78,5% |
| Portugal | 76,5% |
| Média UE | 63,8% |
| Polónia | 49,3% |
| Itália | 47,2% |
| Roménia | 44,1% |
Fonte: Eurostat, nota de imprensa, fevereiro de 2026.
A dispersão entre países é significativa: mais de 30 pontos percentuais separam a Grécia da Roménia. Portugal, posicionado no grupo de topo, encontra-se numa situação em que a maioria dos jovens que chega ao ensino superior já possui experiência prévia com ferramentas de IA — o que muda substancialmente o perfil do utilizador académico típico.
Uso de IA na universidade em Portugal: estatísticas recentes
Os dados nacionais disponíveis sobre o uso de IA na universidade em Portugal apontam numa direcção consistente: a adoção cresceu de forma acelerada entre 2024 e 2026. Um estudo conduzido pela Universidade Lusófona em 2024 concluiu que 53% dos estudantes universitários portugueses recorrem a ferramentas de IA nos seus estudos. Este valor foi posteriormente superado por dados de 2026, que indicam que mais de 67% dos estudantes universitários utilizam pelo menos uma solução de IA na sua vida académica.
Para um contexto etário mais alargado, um estudo da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa — coordenado por Cristina Ponte e Susana Batista — revelou que quase 90% dos jovens portugueses entre 9 e 17 anos já usaram IA generativa, com 85% a tê-lo feito no mês anterior à inquirição. Este valor situa-se dez pontos percentuais acima da média europeia para este grupo etário. Entre os usos mais frequentes, 47% reportaram ter utilizado IA para trabalhos escolares em diversas disciplinas, e 48% para resumir ou explicar textos.
Estes dados têm uma implicação directa para o ensino superior: os estudantes que chegam hoje à universidade já chegam com hábitos consolidados de uso de IA. Esta realidade altera as premissas sobre literacia digital e coloca novas exigências às instituições. Se está a preparar a sua tese e quer perceber como integrar estas ferramentas de forma estruturada, consulte o nosso guia sobre como escrever a tese com IA em 2026, que detalha abordagens práticas com manutenção do rigor académico.
Ferramentas mais utilizadas pelos estudantes portugueses
O estudo “IA — Impacto e Futuro 2025”, coordenado pela Magma Studio em parceria com o CIP (Confederação Empresarial de Portugal) e a DSPA, inquiriu 2.762 pessoas entre junho e outubro de 2025, das quais 39,7% eram estudantes universitários. Os dados sobre ferramentas preferidas são inequívocos:
| Ferramenta | % de utilizadores de IA |
|---|---|
| ChatGPT (OpenAI) | 87,5% |
| Copilot (Microsoft) | 37,6% |
| Gemini (Google) | 29,1% |
| Perplexity AI | 13,6% |
Fonte: Estudo “IA — Impacto e Futuro 2025”, Magma Studio / CIP / DSPA; citado pelo Público.
O domínio do ChatGPT é marcante: mais de oito em cada dez utilizadores de IA em Portugal recorrem a esta plataforma. A grande maioria (72,8%) usa a versão gratuita, o que sugere que o custo não é o principal obstáculo à adopção — ao contrário do que por vezes se assume. Este padrão é consistente com dados do Reino Unido: o inquérito do HEPI de 2025, que abrangeu 1.041 estudantes de licenciatura no Reino Unido, registou 92% de utilização de IA (face a 66% em 2024), com 88% a recorrer a estas ferramentas em trabalhos académicos avaliados.
Para um enquadramento mais aprofundado das ferramentas específicas para dissertações e teses, com análise comparativa das capacidades e limitações de cada uma, consulte o nosso artigo sobre a melhor IA para escrever a tese em 2026.
Para que fins usam os estudantes a IA?
Os dados do estudo “IA — Impacto e Futuro 2025” permitem caracterizar os principais objectivos de uso entre os estudantes universitários portugueses:
- Pesquisa e estudo — 64% dos estudantes
- Automatização de tarefas — 42,8%
- Ideação e brainstorming — 40,7%
O predomínio da pesquisa e estudo como caso de uso principal é revelador: para a maioria dos estudantes, a IA funciona antes de mais como instrumento de processamento de informação — para resumir textos, clarificar conceitos, identificar lacunas bibliográficas ou explorar argumentos. Estes dados nacionais alinham-se com os resultados europeus: no inquérito HEPI, os estudantes britânicos identificaram como principais motivações poupar tempo (51%) e melhorar a qualidade dos trabalhos (50%).
O estudo FCSH NOVA, relativo a jovens entre os 9 e os 17 anos, complementa este quadro com dados sobre o contexto pré-universitário: 48% dos jovens portugueses usam IA para resumir ou explicar textos, e 47% para trabalhos escolares em diversas disciplinas. Estes padrões de utilização antecipatória prolongam-se e intensificam-se no ensino superior.
Uma utilização eficaz da IA para pesquisa académica pressupõe sempre um domínio sólido da metodologia de base. A ferramenta pode acelerar a pesquisa bibliográfica, mas não substitui o raciocínio crítico na selecção e avaliação das fontes. Para aprender a estruturar este processo, o nosso guia sobre como fazer uma revisão de literatura passo a passo apresenta um método que pode ser aplicado com ou sem suporte de IA.
Políticas institucionais nas IES portuguesas: o estado em 2025
A adoção generalizada de IA pelos estudantes contrasta com a lentidão das instituições na formalização de políticas claras. Segundo estimativas do CCISP (Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos), apenas cerca de 28% das instituições de ensino superior (IES) portuguesas dispunham de políticas formais sobre o uso de IA em 2025. Este valor coloca Portugal numa situação semelhante à da maioria dos países europeus, em que a regulação institucional avança claramente a um ritmo inferior ao da adopção pelos estudantes.
A ausência de políticas formais cria uma zona cinzenta que afecta sobretudo os trabalhos de maior peso académico — teses, dissertações e relatórios de estágio. A questão não é meramente técnica; é ética e avaliativa: como garantir que os resultados académicos reflectem o trabalho e o pensamento do estudante, quando as ferramentas disponíveis são capazes de gerar conteúdo de qualidade crescente? Para quem está a preparar a sua tese e precisa de perceber o que a sua universidade permite, o artigo sobre o que dizem as regras sobre usar IA para escrever a tese em Portugal oferece uma análise actualizada das políticas das principais IES.
IAedu: a resposta nacional da FCT
A resposta mais estruturada ao nível nacional chegou em maio de 2025, com o lançamento da plataforma IAedu pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), através dos serviços digitais da FCCN. A IAedu disponibiliza, de forma gratuita e centralizada, acesso a múltiplos modelos de linguagem de larga escala (LLM) a toda a comunidade académica e de investigação portuguesa — estudantes, docentes, investigadores e técnicos de IES que aderiram à rede RCTS.
A plataforma é acessível em iaedu.pt mediante autenticação federada com credenciais institucionais. O seu objectivo declarado é democratizar o acesso a tecnologias de IA, reduzindo a desigualdade entre quem pode pagar subscrições pagas e quem não pode. Esta iniciativa posiciona Portugal entre os poucos países europeus com uma política nacional activa de fornecimento de acesso a IA para o ensino superior.
Saber utilizar as ferramentas disponíveis é apenas um aspecto do problema. A outra dimensão — igualmente decisiva para quem redige uma tese — é saber estruturar o trabalho académico de forma metodologicamente sólida. O nosso guia sobre metodologia de investigação para a tese explica como construir um enquadramento rigoroso, independentemente das ferramentas utilizadas no processo.
Implicações académicas: integridade, aprendizagem e equidade
Os dados disponíveis levantam questões que vão além dos números de adoção. Três dimensões merecem atenção particular no contexto do ensino superior português.
Integridade académica
O crescimento do uso de IA para trabalhos avaliados — documentado de forma inequívoca em contextos como o Reino Unido e consistente com os padrões portugueses — coloca pressão crescente sobre os sistemas de avaliação e sobre a definição operacional de integridade académica. Para os estudantes, a questão não é apenas técnica, mas ética: como citar o uso de IA, quando é legítimo recorrer a ela e que limites respeitar. O nosso guia sobre uso ético de IA na tese aborda estas questões com referência às normas e orientações em vigor nas universidades portuguesas.
Desenvolvimento de competências
Uma preocupação transversal nos debates académicos internacionais diz respeito ao impacto do uso intensivo de IA no desenvolvimento de competências de escrita, pensamento crítico e síntese. O inquérito HEPI identifica esta tensão: os estudantes reconhecem que a IA melhora a eficiência, mas há interrogações legítimas sobre se esta eficiência se realiza à custa de aprendizagens mais profundas. Não existe ainda consenso empírico sobre este ponto.
Equidade no acesso
O Eurostat nota uma divisão digital emergente: estudantes do sexo masculino, oriundos de cursos STEM e de contextos socioeconómicos mais favorecidos têm maior probabilidade de usar IA de forma intensa e diversificada. A IAedu tenta mitigar a dimensão do custo, mas a desigualdade de literacia digital e de acesso a equipamentos adequados subsiste como factor condicionante.
Tesify: escreve a tua tese com IA, com rigor académico
O Tesify foi desenvolvido especificamente para estudantes do ensino superior lusófono que querem integrar IA na preparação da sua tese ou dissertação, sem comprometer a integridade exigida pelas suas instituições. A plataforma apoia desde a definição da estrutura até à formatação em normas APA, passando pelo apoio à revisão de literatura.
Criação de conta gratuita, sem cartão de crédito.
Perguntas frequentes sobre o uso de IA na universidade
Quantos estudantes universitários em Portugal usam IA?
Segundo dados de 2026, mais de 67% dos estudantes universitários portugueses utilizam pelo menos uma ferramenta de IA nas suas actividades académicas. Um estudo da Universidade Lusófona de 2024 já registava 53%, o que aponta para um crescimento acelerado num curto período de tempo.
Qual é a ferramenta de IA mais usada pelos estudantes em Portugal?
O ChatGPT é de longe a ferramenta mais utilizada: 87,5% dos utilizadores de IA em Portugal recorrem a esta plataforma, segundo o estudo “IA — Impacto e Futuro 2025” (Magma Studio / CIP / DSPA, 2.762 inquiridos). Seguem-se o Copilot (37,6%), o Gemini (29,1%) e o Perplexity (13,6%).
A percentagem de jovens portugueses que usa IA é superior à média europeia?
Sim. Segundo o Eurostat, 76,5% dos jovens portugueses entre 16 e 24 anos usaram IA generativa em 2025, comparado com a média europeia de 63,8%. Portugal encontra-se no grupo de países com maior adopção por jovens na UE, imediatamente a seguir à Grécia (83,5%), à Estónia (82,8%) e à República Checa (78,5%).
O que é a plataforma IAedu e quem pode aceder?
A IAedu é uma plataforma lançada pela FCT em maio de 2025 que disponibiliza acesso gratuito a vários modelos de linguagem de grande escala (LLMs) a toda a comunidade académica e de investigação portuguesa. Podem aceder estudantes, docentes, investigadores e técnicos de IES integradas na rede RCTS, mediante autenticação com credenciais institucionais em iaedu.pt.
As universidades portuguesas têm políticas claras sobre o uso de IA?
Segundo estimativas do CCISP, apenas cerca de 28% das IES portuguesas dispunham de políticas formais sobre o uso de IA em 2025 — um valor baixo face à taxa de adopção pelos estudantes. Esta lacuna regulatória cria incerteza, especialmente para trabalhos académicos de maior peso como teses e dissertações. É recomendável consultar os regulamentos específicos da instituição antes de utilizar IA em trabalhos avaliados.
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