Estatísticas de Plágio nas Universidades em 2026: Dados em Portugal

Estatísticas de Plágio nas Universidades em 2026: Dados em Portugal

O plágio académico continua na agenda das universidades portuguesas — e os dados disponíveis a nível internacional revelam uma realidade mais complexa do que um simples número. As estatísticas de plágio nas universidades mostram que, embora a taxa global de plágio detetado tenha subido durante a pandemia, a chegada da IA generativa criou uma nova dimensão: mais textos com conteúdo gerado artificialmente, menos correspondências de cópia direta. Em Portugal, dados agregados específicos sobre plágio académico não são publicamente disponibilizados a nível nacional — o que torna este artigo ainda mais necessário: compilar o que existe, identificar o que falta e colocar a realidade portuguesa no contexto europeu e global.

Este artigo reúne dados de fontes verificáveis — desde o Global Plagiarism Report 2018-2024 da PlagiarismSearch e os dados do Turnitin até ao repositório RCAAP — e nota explicitamente onde a informação específica para Portugal é limitada ou inexistente. Para investigadores, jornalistas e estudantes que precisam de citar dados sobre integridade académica com rigor, este é o ponto de partida.

Resposta rápida: Não existem estatísticas nacionais publicadas sobre plágio académico em Portugal. A nível global, a taxa média de plágio detetado situou-se em cerca de 15,9% entre 2018 e 2024, com um pico de 18,79% em 2020 (pandemia) e um novo aumento para 18,32% em 2023, coincidindo com a massificação da IA generativa. Em 2024, a taxa desceu para 16,36%. Na Europa, o Reino Unido registou a taxa mais elevada (33,25%) e a Alemanha uma das mais baixas globalmente.

O que dizem os dados globais sobre plágio académico

Diagrama do plágio académico: relação entre texto fonte original, cópia não atribuída e trabalho plagiado
Fonte: Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0

A maior análise longitudinal de submissões académicas disponível publicamente é o Global Plagiarism Report 2018-2024 da PlagiarismSearch, que analisou 69,89 milhões de documentos submetidos ao longo de sete anos. Os resultados revelam uma trajetória com picos bem definidos:

Ano Taxa de plágio detetado Variação anual
2018 9,08%
2019 14,67% +61,55%
2020 18,79% +28,06% — pico pandemia
2021 16,72% −11,01%
2022 15,25% −8,83%
2023 18,32% +20,19% — impacto IA generativa
2024 16,36% −10,72%

A média global do período situou-se em 15,9%. Dois eventos marcaram a série histórica de forma clara: o encerramento das salas de aula durante a pandemia de COVID-19, que empurrou os trabalhos académicos para ambientes não supervisionados e contribuiu para o pico de 2020; e o lançamento massivo de ferramentas de IA generativa a partir do final de 2022, associado ao segundo pico, em 2023.

A estes dados de deteção importa juntar os dados de auto-relato, que medem uma realidade diferente: não o que é detetado, mas o que os estudantes admitem. A referência mais citada nesta área é a investigação acumulada ao longo de décadas pelo International Center for Academic Integrity (ICAI), com base nos estudos de Donald McCabe, que identificou que cerca de 68% dos estudantes universitários admitiu ter cometido alguma forma de desonestidade académica — incluindo plágio — ao longo do curso. Meta-análises de inquéritos sobre integridade confirmam, contudo, que a prevalência auto-relatada varia bastante consoante a definição de plágio adotada e o grau de anonimato das respostas.

Esta variação metodológica é importante: o que se considera “plágio” em cada estudo (cópia integral, paráfrase não atribuída, reciclagem de trabalhos próprios), o contexto cultural e o grau de anonimato das respostas alteram substancialmente os resultados. Por isso, qualquer número de auto-relato deve ser lido com cautela — mede perceções e admissões, não deteções verificadas.

Plágio na Europa: contexto e comparações

Mapa comparativo das taxas de plágio académico na Europa, com destaque para o Reino Unido e a Alemanha como casos extremos
Taxas de plágio académico detetado por país europeu: Reino Unido com os valores mais elevados, Alemanha entre os mais baixos

Os dados disponíveis mostram variação considerável entre países europeus. Numa análise de trabalhos académicos entre janeiro de 2023 e janeiro de 2024, o Reino Unido registou a taxa de plágio mais elevada de todos os países analisados, com 33,25%. A Alemanha, pelo contrário, apresentou historicamente algumas das taxas mais baixas a nível global — entre 5,0% e 13,7% ao longo do período 2018-2024 — e a Ucrânia manteve taxas estáveis de 5,5% a 6,6% ao longo do mesmo período (Global Plagiarism Report, PlagiarismSearch).

Estas diferenças refletem fatores heterogéneos: o nível de adoção de software de deteção (que pode inflar os números detetados), as práticas pedagógicas, as definições institucionais de plágio e o peso cultural atribuído à citação e à atribuição de autoria. Países com maior taxa de submissões ao software de deteção tendem a registar mais deteções — o que não é, por si só, indicador de maior desonestidade, mas de maior escrutínio.

A pandemia afetou a Europa de forma transversal. Estudos publicados no International Journal for Educational Integrity documentam que a transição abrupta para o ensino à distância em 2020 esteve associada a um aumento das taxas de plágio, particularmente nas Humanidades, onde os trabalhos escritos são mais difíceis de supervisionar remotamente. Após o regresso ao ensino presencial, as taxas baixaram, mas não voltaram aos níveis pré-pandemia em muitos contextos.

Uma nota metodológica relevante para interpretar dados europeus: países que formalizaram recentemente a adoção de software de deteção — como a Croácia, que a partir de 2023/2024 generalizou o Turnitin a todas as instituições públicas de ensino superior — passam a registar taxas onde antes havia ausência de dados. O crescimento das estatísticas de deteção reflete, em parte, o crescimento da capacidade de detetar, e não necessariamente um aumento real do fenómeno.

Dados em Portugal: o que existe e o que falta

Nota de transparência: Portugal não dispõe de uma base de dados pública nacional sobre taxas de plágio académico equivalente às que existem noutros países. Os dados que se seguem referem-se ao repositório científico nacional e às políticas institucionais, não a taxas de prevalência de plágio nas universidades portuguesas.

O principal repositório de produção académica portuguesa é o RCAAP (Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal), gerido pela FCT/FCCN. Em 2025, o portal RCAAP ultrapassa 1 milhão de documentos agregados provenientes de mais de 400 recursos nacionais — incluindo 64 repositórios institucionais, 250 revistas científicas e 95 instituições que utilizam o Repositório Comum. Este volume representa a infraestrutura sobre a qual a verificação de originalidade em Portugal é tecnicamente possível à escala nacional.

Um indicador relevante, ainda que não diretamente ligado ao plágio, é a taxa de depósito legal de teses e dissertações no Repositório Comum: no final de 2023, o cumprimento situava-se em 94,11% — uma taxa de conformidade elevada que reflete a generalização da obrigatoriedade de depósito nas instituições aderentes. Esta presença crescente das teses no repositório nacional cria, por sua vez, maior capacidade de cross-referência para deteção de plágio.

No que respeita à adoção de ferramentas de deteção, diversas universidades públicas portuguesas recorrem a sistemas como o Turnitin ou o iThenticate para análise de teses e dissertações, mas não existe publicação oficial que agregue taxas de utilização ou resultados a nível nacional. A título de contexto global, o Turnitin é utilizado por mais de 16.000 instituições em 185 países, e um inquérito da Educause (2022) estimou que mais de 90% das instituições de ensino superior utilizam algum tipo de software de deteção de plágio.

Esta lacuna de dados nacionais é, por si só, um dado relevante. Em países como o Reino Unido ou a Croácia, onde o software de deteção foi adotado de forma sistemática e centralizada, existe maior visibilidade pública sobre o fenómeno. Em Portugal, a responsabilidade de reporte fica atualmente ao nível de cada instituição, o que dificulta uma análise comparativa. A ausência de estatísticas nacionais não significa ausência do problema — significa ausência de medição sistemática.

IA generativa: a nova dimensão da integridade académica

Impacto da IA generativa nas estatísticas de plágio académico: queda do plágio tradicional e aumento do conteúdo gerado artificialmente
Impacto da IA generativa na integridade académica: substituição do plágio clássico por conteúdo gerado artificialmente

O lançamento do ChatGPT em novembro de 2022 alterou o cenário de forma estrutural. A distinção entre plágio “clássico” (cópia de texto alheio sem atribuição) e o uso não declarado de IA generativa tornou-se a nova fronteira da integridade académica, e os dados das plataformas de deteção refletem essa transformação.

O Turnitin lançou o seu detetor de conteúdo gerado por IA em abril de 2023. No aniversário de um ano, tinha revisto mais de 200 milhões de trabalhos, dos quais:

  • Mais de 22 milhões continham pelo menos 20% de conteúdo gerado por IA
  • Mais de 6 milhões continham pelo menos 80% de conteúdo gerado por IA

Em paralelo, os dados da Copyleaks sobre os primeiros meses de 2024 mostram uma tendência aparentemente paradoxal: em janeiro de 2024, a taxa de conteúdo de IA nos trabalhos académicos subiu cerca de 9% face a janeiro de 2023, mas a taxa de plágio tradicional (cópia de texto pré-existente) desceu cerca de 18% no mesmo período. Uma interpretação plausível: os estudantes substituíram a cópia direta pela geração de texto via IA — uma forma diferente de não-originalidade, mas que os algoritmos convencionais de deteção de plágio dificilmente captam.

O impacto nos repositórios de acesso aberto e na produção científica é igualmente monitorizado. Estudos de deteção de conteúdo gerado por IA em manuscritos académicos identificaram proporções crescentes de texto gerado artificialmente em pré-prints e artigos submetidos a revistas científicas, o que levou várias editoras a implementar políticas obrigatórias de declaração de uso de IA.

Para dados detalhados sobre a adoção de IA entre estudantes universitários portugueses — incluindo as ferramentas mais utilizadas e as políticas das instituições — consulte as estatísticas de uso de IA na universidade em 2026. Para a perspetiva comparada Portugal-Brasil com dados oficiais, o artigo da tesify.pt sobre IA no ensino superior: estatísticas 2026 Portugal e Brasil é um recurso complementar. As questões sobre o que constitui uso ético e aceitável da IA na elaboração de teses são exploradas em uso ético de IA na tese.

Ferramentas de deteção de plágio no ensino superior

As ferramentas de verificação de originalidade tornaram-se infraestrutura padrão nas universidades. Segundo dados da Educause (2022), mais de 90% das instituições de ensino superior utilizam alguma forma de software de deteção de plágio — um valor que representa uma transformação radical face a duas décadas atrás, quando estas ferramentas eram raras e dispendiosas.

As ferramentas mais utilizadas a nível institucional são:

Ferramenta Perfil de uso Deteção de IA?
Turnitin Trabalhos de curso, teses (16.000+ instituições em 185 países) Sim (desde abril 2023)
iThenticate Manuscritos para publicação, teses de doutoramento Sim
Copyleaks Múltiplos formatos, API para integração institucional Sim (precisão reportada >99%)

Para os estudantes que querem verificar o estado de originalidade do seu texto antes de o submeter, existem também verificadores para uso individual. Para orientação sobre as ferramentas disponíveis e as suas diferenças, consulte a comparativa do melhor verificador de plágio em 2026.

Uma nota essencial sobre interpretação de resultados: a taxa de similaridade gerada por estas ferramentas não é equivalente à taxa de plágio. As percentagens de sobreposição incluem citações legítimas, referências bibliográficas, frases formulaicas e terminologia técnica normalizada. Cada instituição define os seus próprios limiares — não existe um valor universalmente aceite que separe o trabalho legítimo do trabalho plagiado.

O que as universidades estão a fazer perante estes dados

As políticas institucionais de resposta ao plágio evoluíram significativamente na última década, e a IA generativa acelerou essa evolução. As principais tendências observadas a nível europeu e internacional incluem:

Obrigatoriedade de declaração de uso de IA

Diversas universidades europeias exigem agora que os estudantes incluam uma declaração explícita sobre o uso de ferramentas de IA nos seus trabalhos. Em Portugal, as políticas variam por instituição, mas a tendência é de crescente formalização — identificando quais as ferramentas utilizadas, em que fases do trabalho e de que forma o estudante verificou e assume a responsabilidade pelo conteúdo produzido.

Revisão das modalidades de avaliação

Perante a dificuldade de detetar texto gerado por IA com precisão absoluta — e os falsos positivos que geram tensão com os estudantes —, muitas instituições diversificam os métodos de avaliação: mais apresentações orais, trabalhos com componente de portefólio, avaliações presenciais e tarefas que requerem conhecimento contextual difícil de simular artificialmente.

Formação em integridade académica integrada no currículo

Em vez de tratar o plágio exclusivamente como infração disciplinar, cresce a abordagem preventiva: formação obrigatória sobre citação correta, workshops sobre uso responsável de IA e programas de literacia académica integrados no primeiro ano de licenciatura. A premissa é que parte do plágio resulta de desconhecimento genuíno sobre normas de citação, e não de intenção de fraude.

Adoção de deteção de IA a par da deteção de plágio clássico

O número de instituições que implementam deteção de conteúdo gerado por IA está a crescer rapidamente. As mesmas plataformas — Turnitin, Copyleaks, iThenticate — integraram deteção de IA nas suas ferramentas existentes, tornando a análise simultânea de plágio e conteúdo de IA parte do fluxo normal de verificação.

Ferramenta recomendada: O Tesify inclui uma função de autoverificação de originalidade que ajuda os estudantes a identificar potenciais sobreposições antes de submeter a tese ao orientador. O registo é gratuito. Ao contrário de ferramentas puramente de deteção, o Tesify integra a verificação no fluxo de escrita, promovendo a integridade académica desde o início — não apenas na fase de submissão final.

Perguntas Frequentes

Existem estatísticas nacionais sobre plágio nas universidades portuguesas?

Não. Portugal não dispõe de uma base de dados pública que agregue taxas de plágio académico a nível nacional. As universidades reportam internamente ao nível institucional, mas esses dados não são publicados de forma sistemática. O RCAAP, enquanto repositório nacional de produção académica, fornece dados sobre volume e compliance de depósito de teses, mas não sobre ocorrências de plágio.

Qual é a taxa média de plágio nos trabalhos académicos a nível global?

Segundo o Global Plagiarism Report 2018-2024 da PlagiarismSearch, que analisou 69,89 milhões de submissões, a taxa média global situou-se em cerca de 15,9%. O valor mais elevado foi registado em 2020 (18,79%, pandemia) e em 2023 (18,32%, impacto da IA generativa). Em 2024, a taxa desceu para 16,36%.

Como é que a IA generativa afeta as estatísticas de plágio?

O plágio tradicional (cópia de texto alheio) parece estar a diminuir enquanto o uso não declarado de conteúdo gerado por IA aumenta. Dados da Copyleaks de início de 2024 mostram que a taxa de plágio tradicional desceu cerca de 18% face ao ano anterior, enquanto a taxa de conteúdo de IA subiu cerca de 9%. O Turnitin detetou mais de 22 milhões de trabalhos com pelo menos 20% de conteúdo gerado por IA num período de 12 meses (2023-2024).

Que países europeus têm as taxas de plágio mais elevadas e mais baixas?

O Reino Unido registou as taxas mais elevadas (33,25% no período janeiro 2023–janeiro 2024), enquanto a Alemanha apresentou historicamente valores entre os mais baixos globalmente (5,0% a 13,7% entre 2018 e 2024). Estas taxas refletem submissões ao software de deteção — países com maior adoção institucional têm maior visibilidade sobre o fenómeno, o que pode inflar as comparações.

Quantas instituições de ensino superior usam software de deteção de plágio?

Segundo um inquérito da Educause realizado em 2022, mais de 90% das instituições de ensino superior utilizam alguma forma de software de deteção de plágio. O Turnitin é utilizado por mais de 16.000 instituições em 185 países. Em Portugal, diversas universidades públicas adotam o Turnitin e/ou o iThenticate para análise de teses e trabalhos académicos, embora não exista publicação oficial que agregue dados de utilização a nível nacional.

Qual a diferença entre taxa de similaridade e taxa de plágio?

A taxa de similaridade indica a percentagem do texto que coincide com fontes da base de dados — inclui citações legítimas, referências bibliográficas e frases formulaicas. A taxa de plágio é uma apreciação qualitativa feita pelo avaliador humano, que filtra as sobreposições justificadas. Não existe um limiar universal: cada instituição define os seus próprios critérios de aceitabilidade.