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Norma Portuguesa NP 405 em 2026: Como Citar e Referenciar (Guia com Exemplos)

Norma Portuguesa NP 405 em 2026: Como Citar e Referenciar (Guia com Exemplos)

A norma portuguesa 405 é a referência oficial para citações e referências bibliográficas nas universidades portuguesas — e muitas faculdades continuam a exigi-la em alternativa às APA 7. Perceber a sua lógica poupa horas de formatação manual e evita perdas de nota por erros formais que, à primeira vista, parecem insignificantes.

Este guia cobre os três sistemas de citação previstos na NP 405, a estrutura das referências para os tipos de fonte mais comuns — livro, artigo científico e sítio web — e uma tabela comparativa com as APA 7, para que saibas exatamente o que muda consoante a norma exigida pelo teu orientador.

Resposta rápida
A NP 405 é a norma portuguesa de referências bibliográficas, baseada na ISO 690, e divide-se em quatro partes (documentos impressos, materiais não-livro, documentos não publicados e documentos eletrónicos). A referência começa sempre pelo APELIDO do autor em maiúsculas, seguido de travessão (–) e título a negrito. Para citar no texto, o sistema mais comum é o autor-data: (Apelido, ano).

O que é a NP 405 e quando se usa

A NP 405 é a norma portuguesa para a elaboração de referências bibliográficas, publicada pelo Instituto Português da Qualidade (IPQ) e adaptada a partir da norma internacional ISO 690. É adotada por um grande número de universidades, politécnicos e institutos portugueses, sobretudo nas áreas de ciências sociais, direito, humanidades e engenharia.

Ao contrário das normas APA (de origem norte-americana) ou das ABNT (brasileiras), a NP 405 foi desenvolvida especificamente para o contexto biblioteconómico português. A sua estrutura privilegia a identificação inequívoca do documento — autor, título, editor e localização — e admite três sistemas de citação distintos, dando flexibilidade ao autor ou à instituição para escolher o mais adequado ao trabalho.

Quando usar a NP 405? Sempre que o regulamento de dissertação da tua faculdade, o manual de estilo institucional ou o teu orientador a indicar explicitamente. Em caso de dúvida, localiza o documento de orientações metodológicas publicado pela biblioteca ou pelo departamento — é aí que constará qual o estilo de citação obrigatório.

As quatro partes da NP 405

A norma organiza-se em quatro documentos distintos, cada um dedicado a uma tipologia de fonte. Conhecê-los antecipadamente evita confusões quando tens de referenciar fontes em formatos diferentes:

Parte Designação Exemplos de documentos abrangidos
NP 405-1 Documentos impressos Livros, artigos de revistas, teses, atas de congressos, relatórios, normas técnicas, patentes
NP 405-2 Materiais não-livro Filmes, gravações áudio e vídeo, fotografias, mapas, cartazes
NP 405-3 Documentos não publicados Relatórios internos, comunicações pessoais, manuscritos, apontamentos de aula
NP 405-4 Documentos eletrónicos Sítios web, artigos consultados online, bases de dados, e-books, publicações em redes sociais

Na prática académica, as partes mais usadas são a NP 405-1 (para livros e revistas impressas) e a NP 405-4 (para fontes digitais). É comum uma tese ou dissertação recorrer a ambas, consoante o formato das fontes citadas.

Sistemas de citação no texto

A NP 405 permite três sistemas de citação no corpo do texto. A tua instituição ou orientador indicará qual usar — na maioria dos contextos académicos portugueses, o sistema autor-data é o mais adotado, por ser o mais próximo das APA 7 e facilitar a leitura.

Sistema autor-data (o mais comum)

Indica entre parênteses o apelido do autor e o ano de publicação, imediatamente após a ideia citada ou parafraseada:

  • Um autor: (Silva, 2022)
  • Dois autores: (Silva e Ferreira, 2022)
  • Três ou mais autores: (Silva et al., 2022)
  • Citação direta com número de página: (Silva, 2022, p. 45)

Sistema numérico

As fontes são numeradas por ordem de aparecimento no texto. A citação surge como número entre colchetes ou em sobrescrito: «…conforme demonstrado em estudos anteriores [3]». A lista de referências no final aparece ordenada por número e não alfabeticamente.

Sistema clássico com notas de rodapé

A citação é remetida para uma nota de rodapé, onde figura a referência completa ou abreviada. Frequente em trabalhos de direito, história e filosofia, onde o comentário à fonte é parte integrante do argumento.

Exemplos de referências bibliográficas

Abaixo encontras os formatos completos para os três tipos de fonte mais frequentes numa tese ou dissertação, com exemplos práticos segundo a norma portuguesa 405, retirados dos guias das bibliotecas universitárias da FEUP e da Universidade Europeia.

Regras-chave da NP 405 em Resumo

Formato do autor

APELIDO, Nome

Maiúsculas obrigatórias

Separador autor-título

Travessão longo (–)

Não hífen simples (-)

Título do livro

Negrito

Não itálico (diferente das APA 7)

Fontes eletrónicas

[Em linha] obrigatório

+ data de consulta sempre

Fonte: Guia NP 405 — Biblioteca da FEUP, Universidade do Porto

Livro (monografia)

Estrutura:
APELIDO, Nome – Título: subtítulo. N.º ed. Local : Editor, ano. ISBN.
Exemplo:
CANOTILHO, J.J. Gomes – Direito constitucional e teoria da constituição. 7.ª ed. Coimbra : Almedina, 2018. ISBN 9789724021065.

Pontos a reter: o apelido aparece em maiúsculas; separa-se o autor do título com um travessão longo (–), não um hífen; o título da monografia vai a negrito; o local de publicação e o editor separam-se por dois pontos com espaço de ambos os lados.

Artigo de revista científica (impresso)

Estrutura:
APELIDO, Nome – Título do artigo. Título da Revista. Local. ISSN. Vol. X, n.º Y (ano), p. xx-xx.
Exemplo:
ANTUNES, José Engrácia – O conceito jurídico de consumidor. Revista de Direito Civil. Coimbra. ISSN 2183-5535. Ano 3, n.º 4 (2018), p. 771-796.

Atenção: o título do artigo não vai a negrito nem itálico; apenas o título da revista ou publicação periódica é destacado (negrito).

Artigo de revista científica (em linha)

Estrutura:
APELIDO, Nome – Título do artigo. Título da Revista [Em linha]. Vol. X, n.º Y (ano), p. xx-xx. [Consult. data]. Disponível na Internet: <URL>. ISSN.
Exemplo:
SILVA, Nuno Sousa e – Direitos conexos ao direito de autor. Revista da Ordem dos Advogados [Em linha]. Ano 76 (2016), p. 355-445. [Consult. 15 jan. 2026]. Disponível na Internet: <https://portal.oa.pt>. ISSN 0870-8118.

Sítio web ou página de internet

Estrutura (NP 405-4):
APELIDO, Nome (ou Organização) – Título da página [Em linha]. Local : Editor, ano. [Consult. data]. Disponível na Internet: <URL>.
Exemplo:
DIREÇÃO-GERAL DO ENSINO SUPERIOR – Acesso ao ensino superior em Portugal [Em linha]. Lisboa : DGES, 2025. [Consult. 10 abr. 2026]. Disponível na Internet: <https://www.dges.gov.pt>.

Para sítios web sem autor identificado, a referência começa pelo título da página. A indicação [Em linha] é obrigatória em todas as referências eletrónicas segundo a NP 405-4, tal como a data de consulta.

NP 405 vs. APA 7: principais diferenças

A decisão de usar a norma portuguesa 405 ou as APA 7 depende da instituição e da área científica. Conhecer as diferenças entre ambas evita confusões quando consultas fontes com formatos mistos ou quando mudas de norma a meio da dissertação. Para um guia detalhado sobre a APA 7, consulta o nosso artigo Normas APA 7 em 2026: Guia Completo de Citação e Referências.

Elemento NP 405 APA 7
Formato do autor APELIDO, Nome (maiúsculas) Apelido, N. (inicial do nome)
Posição do ano No final, após o editor Logo após o autor, entre parênteses
Destaque do título (livro) Negrito Itálico
Separador autor–título Travessão longo (–) Ponto final
Fontes eletrónicas [Em linha] obrigatório + data de consulta URL ou DOI (sem data de consulta obrigatória)
Sistemas de citação Autor-data, numérico ou notas de rodapé Apenas autor-data
Local de publicação Obrigatório nas referências impressas Suprimido desde a 7.ª edição

Uma diferença prática importante: nas APA 7 já não é necessário indicar a cidade e o país do editor, enquanto a NP 405 continua a exigi-lo para documentos impressos. Este é um dos pontos mais frequentemente esquecidos por estudantes que transitam de um sistema para o outro.

Erros mais comuns (e como evitá-los)

Os erros abaixo são frequentemente identificados pelos guias das bibliotecas universitárias portuguesas como os mais recorrentes em dissertações que usam a NP 405:

  • Apelido em minúsculas — Na NP 405, o apelido do autor vai sempre em maiúsculas. Escrever «Silva, João» em vez de «SILVA, João» é um erro formal recorrente que pode indicar desconhecimento da norma.
  • Usar hífen em vez de travessão — O separador entre autor e título é um travessão longo (–), não um hífen simples (-). Em Word, insere-o via Inserir → Símbolo ou com o atalho Alt+0150 (Windows) / Opção+hífen (Mac).
  • Omitir a indicação [Em linha] — Para qualquer fonte consultada online, esta tag é obrigatória segundo a NP 405-4. Omiti-la equivale a não identificar o suporte do documento.
  • Não indicar a data de consulta — Ao contrário das APA 7, a NP 405-4 exige sempre a data em que o recurso eletrónico foi acedido, no formato [Consult. dia mês ano].
  • Título do artigo em itálico ou negrito — Apenas o título da revista ou publicação periódica vai destacado a negrito. O título do artigo individual permanece em redondo sem qualquer destaque tipográfico.
  • Misturar sistemas de citação — Usar autor-data em alguns capítulos e notas de rodapé noutros cria inconsistência formal. Escolhe um sistema no início e aplica-o de forma rigorosa ao longo de todo o trabalho.

Ferramentas para formatar referências em NP 405

Formatar referências à mão é moroso e sujeito a erro, especialmente quando a lista bibliográfica ultrapassa as duas dezenas de fontes. Estas opções ajudam a agilizar o processo:

  • Zotero com estilo NP 405 — O Zotero disponibiliza um ficheiro de estilo CSL para a NP 405, transferível gratuitamente do repositório Zotero Style Repository. Após instalado, o gestor gera automaticamente as referências no formato correto ao criar a bibliografia no Word ou no LibreOffice.
  • Geradores online — Plataformas como o Grafiati disponibilizam um gerador de referências NP 405, útil para formatar fontes avulsas sem instalar software adicional.
  • Guias das bibliotecas universitárias — As bibliotecas da FEUP, do ISCTE-IUL e da Universidade Europeia mantêm guias atualizados com exemplos verificados. São sempre a fonte mais fiável para casos específicos ou fontes atípicas.
  • Tesify — O Tesify ajuda a estruturar e a redigir a dissertação em português europeu, com apoio na organização das referências bibliográficas e na revisão do texto segundo os requisitos formais das universidades portuguesas.

Para integrares as citações de forma coerente na revisão de literatura da tua tese, o artigo Como Fazer uma Revisão de Literatura Passo a Passo (2026) explica como construir um texto académico que relaciona fontes sem cair na mera enumeração de referências.

Se a tua instituição aceita tanto a NP 405 como as APA 7 e não sabes qual escolher, o artigo da tesify.pt FAQ ABNT vs APA 2026: Como Saber Qual Usar na Tese Portuguesa ou Brasileira apresenta uma comparação estruturada das normas mais comuns no contexto lusófono, útil para tomar uma decisão informada antes de começar.

Perguntas frequentes sobre a NP 405

A NP 405 é obrigatória em todas as universidades portuguesas?

Não. Cada instituição define a norma de citação exigida nos seus regulamentos de dissertação. Muitas universidades portuguesas aceitam tanto a NP 405 como as APA 7; outras têm preferência expressa por uma delas. Verifica sempre o guia de normas da tua faculdade ou consulta o teu orientador antes de começar a formatar as referências.

Qual a diferença entre a NP 405-1 e a NP 405-4?

A NP 405-1 regula a referenciação de documentos impressos (livros, revistas, teses físicas, atas de congressos). A NP 405-4 cobre documentos eletrónicos (sítios web, artigos consultados online, e-books, bases de dados). A diferença prática mais visível é a obrigatoriedade, na NP 405-4, de indicar a menção [Em linha] e a data em que o recurso foi consultado.

Como se cita um artigo de revista online segundo a NP 405?

A estrutura é: APELIDO, Nome – Título do artigo. Título da Revista [Em linha]. Volume, número (ano), páginas. [Consult. dia mês ano]. Disponível na Internet: <URL>. ISSN. O elemento obrigatório que distingue esta referência da versão impressa é a indicação [Em linha] após o título da revista e a data de consulta entre colchetes.

Posso usar o sistema autor-data na NP 405 como faço nas APA 7?

Sim. O sistema autor-data é um dos três sistemas permitidos pela NP 405 e é o mais comum no contexto académico português. A citação no texto surge como (Apelido, ano) ou (Apelido, ano, p. X) quando se trata de citação direta com página. A diferença em relação às APA 7 está na lista de referências final, onde o formato de cada entrada é estruturalmente distinto.

O Zotero suporta a norma portuguesa 405?

Sim. Existe um ficheiro de estilo CSL compatível com o Zotero para a NP 405, disponível no repositório Zotero Style Repository. Após instalar o ficheiro, o Zotero gera automaticamente as referências no formato NP 405 ao criar a bibliografia. Os guias das bibliotecas da FEUP e do ISCTE-IUL incluem instruções de instalação passo a passo.

Como referenciar um sítio web sem autor identificado segundo a NP 405?

Quando não existe autor identificado, a referência começa pelo título da página ou documento, seguido da indicação [Em linha], local, editor (ou nome do sítio), ano, data de consulta e URL. Na citação no texto, usa o título abreviado entre aspas em vez do apelido do autor.

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Manter a consistência das referências ao longo de toda uma dissertação é uma das tarefas mais demoradas da escrita académica. O Tesify ajuda-te a estruturar e a redigir os capítulos da tua tese em português europeu, com foco nos requisitos formais das universidades portuguesas — para que possas dedicar mais tempo à substância do teu trabalho e menos à formatação.

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