, ,

Qual a Percentagem de Plágio Aceitável numa Tese em 2026?

Qual a Percentagem de Plágio Aceitável numa Tese em 2026?

Entregaste o trabalho ao verificador e o resultado apareceu: 22 %. O coração acelerou. A pergunta imediata é sempre a mesma — será demasiado? A verdade sobre a percentagem de plágio aceitável é que não existe um valor universal, oficial e vinculativo para todas as universidades. O que existe são limiares institucionais, boas práticas de interpretação e, acima de tudo, um critério humano que nenhum algoritmo substitui.

O software de verificação — seja o Turnitin, o Compilatio ou qualquer alternativa gratuita — não deteta plágio: deteta coincidências de texto. A decisão de classificar essas coincidências como plágio real pertence sempre ao orientador, ao júri ou ao serviço académico da tua instituição. Compreender esta distinção é o primeiro passo para gerir o relatório com inteligência e integridade.

Este guia explica como ler corretamente o relatório de similaridade, o que pode estar a inflar a tua percentagem sem que haja qualquer problema real, e quais as boas práticas de autoverificação de originalidade que qualquer mestrando ou doutorando deve adotar antes de submeter o trabalho final.

Resposta Rápida

Não existe uma percentagem de plágio aceitável universal. Na generalidade das instituições de ensino superior portuguesas, limiares orientativos de 15 %–25 % de similaridade servem como ponto de partida para análise — mas esses números incluem citações, bibliografia e frases técnicas standard. Após excluir esses elementos, o que importa é a origem do texto que sobra: se for genuinamente teu, com as devidas referências, estás em conformidade.

O Relatório de Similaridade Não Mede Plágio — Mede Coincidências de Texto

O Turnitin e ferramentas equivalentes comparam o teu documento com uma base de dados que inclui publicações académicas, websites, trabalhos submetidos por outros estudantes e textos indexados online. Sempre que encontram uma sequência de palavras idêntica ou muito semelhante, assinalam-na e somam ao índice de similaridade. O software não distingue entre:

  • Uma citação direta devidamente assinalada com aspas e referência bibliográfica;
  • Uma frase de metodologia padrão (“a investigação adotou um design de estudo de caso…”);
  • O título da própria instituição ou do orientador mencionado no cabeçalho;
  • O texto da lista de referências bibliográficas;
  • Uma passagem genuinamente plagiada, copiada sem qualquer atribuição.

Todos estes casos contribuem para o mesmo índice. Por isso, o número isolado tem valor diagnóstico muito limitado. O que importa é a composição desse número — o que está por baixo da percentagem.

A própria documentação oficial do Turnitin esclarece que o Índice de Similaridade (ISS) serve como ponto de partida para o professor, não como veredicto automático. A decisão de aceitar, questionar ou rejeitar o trabalho pertence exclusivamente ao docente ou à comissão de avaliação, que interpreta o relatório no contexto integral do trabalho.

Vídeo: como interpretar o relatório de similaridade do Turnitin.

Valores de Referência nas Universidades Portuguesas

As universidades portuguesas não publicam, em geral, um regulamento com um limite único e inapelável. O que existe são orientações internas, habitualmente comunicadas pelo departamento ou pelos serviços académicos, que variam conforme:

  • O nível do trabalho — licenciatura, mestrado ou doutoramento;
  • A área científica — em Direito e Medicina, a citação de textos normativos é muito frequente e pode inflar o índice;
  • As configurações do relatório — se a bibliografia e as citações estão ou não excluídas da análise.

Como referência geral, na generalidade das instituições de ensino superior portuguesas, o limiar a partir do qual o trabalho é habitualmente enviado para análise humana aprofundada situa-se entre 15 % e 25 % de similaridade — quando o relatório inclui citações e referências. Com citações e referências excluídas, o limiar tende a ser consideravelmente mais baixo, frequentemente na ordem de 10 %.

Estes valores são orientativos, não absolutos. Um trabalho com 30 % de similaridade pode ser aprovado sem reservas se a maioria das coincidências for de citações corretamente formatadas. Um trabalho com 8 % pode ser reprovado se houver uma paráfrase mal disfarçada de uma fonte não referenciada.

Ação prática: Antes de submeter, contacta o teu departamento ou orientador e pergunta qual o limiar adotado e se o relatório deve ser gerado com citações incluídas ou excluídas. Esta informação é indispensável para interpretar o teu resultado corretamente.
Escala de Cores do Índice de Similaridade Turnitin
Cor Índice Interpretação orientativa
Azul 0 % Sem texto coincidente detetado
Verde 1 %–24 % Baixa similaridade — geralmente aceitável sem revisão
Amarelo 25 %–49 % Similaridade moderada — revisão com orientador recomendada
Laranja 50 %–74 % Similaridade elevada — análise aprofundada obrigatória
Vermelho 75 %–100 % Similaridade muito elevada — provável plágio não declarado

Fonte: Turnitin Similarity. A interpretação final é sempre da responsabilidade do docente ou júri.

O Que Está a Inflar a Tua Percentagem

Na maioria dos relatórios que geram preocupação, as coincidências de texto pertencem a categorias que podem ser legitimamente excluídas ou contextualizadas:

1. Lista de referências bibliográficas

Os títulos de artigos e livros que citas na tua bibliografia são textos publicados. O Turnitin vai encontrá-los na sua base de dados. Se não excluíres a secção de referências, ela pode representar vários pontos percentuais no índice.

2. Citações diretas corretamente formatadas

Sempre que citas um autor com aspas e referência, estás a usar texto alheio de forma correta. Mas o software conta-o na mesma. A exclusão de citações no painel de filtros do Turnitin remove estas correspondências do índice, revelando apenas o texto que é genuinamente teu — ou que deveria ser.

3. Frases técnicas e terminologia standard

Em áreas como Direito, Medicina, Engenharia ou Ciências Sociais, existem formulações convencionais que se repetem em centenas de trabalhos: “com base no modelo proposto por”, “os dados foram tratados com recurso ao software SPSS”, “segundo a definição da Organização Mundial de Saúde”. Estas expressões são inevitáveis e não constituem plágio.

4. O próprio resumo ou abstract duplicado

Se submeteres o trabalho com resumo e abstract, o Turnitin pode detetar similaridade entre as duas secções — ou com versões anteriores que tenhas submetido no mesmo sistema.

5. Autoplágio involuntário

Se reusares texto de trabalhos académicos teus anteriores sem declaração, o sistema vai assinalá-lo. Mesmo sendo texto teu, a reutilização não declarada é considerada autoplágio pelas políticas da maioria das instituições portuguesas.

Similaridade versus Plágio Real: Como Distinguir

A distinção fundamental é esta: plágio é apresentar como teu o trabalho intelectual de outrem. Similaridade é uma medida estatística de coincidência de texto. Os dois não são sinónimos.

Situação É plágio? Nota
Citação direta com aspas e referência APA/NP405 Não Prática correta de citação
Paráfrase com referência ao autor Não Desde que genuinamente reformulada
Paráfrase sem qualquer referência Sim Mesmo que reformules as palavras
Cópia direta sem aspas nem referência Sim Forma mais grave de plágio
Terminologia técnica convencional Não Pode inflar o índice sem ser problemático
Texto gerado por IA sem declaração Fraude académica Mesmo que o índice Turnitin seja baixo

Repara na última linha da tabela: um texto gerado por IA pode apresentar índice de similaridade baixo — os modelos de linguagem produzem texto que raramente coincide diretamente com textos publicados — e ainda assim constituir fraude académica se não for declarado. As universidades portuguesas estão a adotar detetores específicos de IA (como o Copyleaks AI Detector ou o GPTZero) em complemento ao Turnitin, precisamente por esta razão.

Para uma análise detalhada das ferramentas que as instituições utilizam e do que as regras académicas permitem, consulta o guia sobre se podes usar IA para escrever a tese e o que dizem as regras em 2026.

Como Autoverificar a Originalidade do Teu Trabalho

A melhor estratégia não é aguardar pelo relatório final e tentar resolver o problema às pressas. A autoverificação deve ser um processo contínuo durante a escrita.

Passo 1 — Verifica durante a escrita, não apenas no final

Usa um verificador de originalidade antes de considerar o capítulo concluído. Muitas universidades disponibilizam acesso ao Turnitin via plataforma LMS (Moodle, Blackboard); em alternativa, ferramentas como o Copyleaks ou o Quetext permitem verificações preliminares.

Passo 2 — Interpreta o relatório por secção, não como um todo

Abre o relatório e analisa cada coincidência assinalada individualmente. Pergunta: esta passagem tem aspas e referência? É terminologia técnica obrigatória? Está na lista de referências? Se sim, podes contextualizar sem preocupação. Se não, precisas de agir.

Passo 3 — Exclui a bibliografia e as citações antes de interpretar

No Turnitin, no painel Filtros e Configurações, ativa as opções “Excluir citações” e “Excluir bibliografia”. O índice vai baixar. O número que resta é muito mais representativo do risco real de plágio não declarado.

Passo 4 — Atua sobre as coincidências problemáticas

Para cada passagem assinalada que não seja citação nem terminologia obrigatória, tens duas opções:

  • Adicionar a referência em falta — se a ideia é de outro autor;
  • Reformular genuinamente — se pretendes expressar a ideia com as tuas próprias palavras e a tua própria interpretação.

Reformular significa reescrever a estrutura frásica, não apenas substituir palavras por sinónimos. O guia sobre as normas APA 7 de citação e referências explica o processo com exemplos práticos de paráfrase correta em contexto académico.

Passo 5 — Usa ferramentas de escrita académica responsável

O Tesify foi concebido para apoiar estudantes na escrita académica com integridade: parte das tuas notas e fontes para sugerir rascunhos e paráfrases contextualmente corretas, e mantém o registo de referências organizado. A plataforma não substitui o teu raciocínio — ajuda-te a estruturá-lo e a expressá-lo de forma original, preservando a integridade do processo.

Integridade Académica Além dos Números

A fixação num valor percentual pode desviar a atenção do que realmente importa: produzir um trabalho que reflita o teu pensamento e o teu esforço de síntese. A integridade académica não é uma questão de gerir um índice — é um compromisso com a honestidade intelectual que te acompanha para além da tese.

As universidades portuguesas têm atualizado os seus regulamentos de integridade académica, em particular desde a proliferação de ferramentas de IA generativa. O enquadramento jurídico inclui o Código do Direito de Autor e Direitos Conexos, e o Regulamento UE 2024/1689 (AI Act) introduz novas obrigações de transparência no uso de sistemas de IA que se estendem ao contexto académico. Para uma análise aprofundada do impacto da IA generativa no plágio académico e nas políticas das instituições, o guia sobre plagiarismo académico em 2026 oferece uma perspetiva abrangente sobre o que mudou em Portugal.

Perguntas que valem mais do que a percentagem no ecrã:

  • As ideias desenvolvidas neste trabalho são genuinamente minhas?
  • Todas as fontes que consultei estão devidamente citadas?
  • Declarei de forma transparente o uso de ferramentas de IA, se as utilizei?
  • Poderia defender cada argumento deste trabalho numa prova oral?

Um “sim” a estas perguntas tem muito mais valor do que qualquer percentagem no ecrã — e é o critério que os júris realmente aplicam.

Perguntas Frequentes

Qual é a percentagem de plágio aceitável numa tese de mestrado em Portugal?

Não existe um valor único legalmente definido. Na generalidade das instituições portuguesas, limiares orientativos entre 15 % e 25 % de similaridade servem como ponto de partida para análise humana — mas esses valores incluem citações e referências. Com esses elementos excluídos, percentagens acima de 10 % começam a merecer revisão atenta. Confirma sempre o critério específico do teu departamento antes de submeter.

Uma percentagem alta no Turnitin significa que fiz plágio?

Não necessariamente. O Turnitin mede coincidências de texto, não plágio. Uma percentagem elevada pode refletir citações diretas corretas, uma bibliografia extensa ou terminologia técnica repetida. Analisa o relatório coincidência a coincidência e verifica se cada passagem assinalada tem atribuição adequada. A decisão final é sempre do orientador ou do júri, não do software.

Devo excluir as citações e a bibliografia antes de analisar o relatório?

Sim. É recomendável gerar duas versões do relatório: uma com tudo incluído (para ver o índice bruto) e outra com citações e referências bibliográficas excluídas (para avaliar o risco real de plágio não declarado). A segunda versão é muito mais informativa para identificar passagens genuinamente problemáticas no corpo do texto.

Texto gerado por IA tem sempre uma percentagem alta no Turnitin?

Não. Os modelos de linguagem produzem texto que raramente coincide diretamente com textos publicados, pelo que o índice de similaridade pode ser baixo mesmo em textos totalmente gerados por IA. Por isso, as universidades estão a adotar detetores específicos de IA em complemento ao Turnitin. Um índice baixo não garante que o trabalho seja considerado original se o orientador suspeitar de uso não declarado de IA.

Como posso baixar a percentagem do Turnitin de forma ética?

A forma correta é rever as passagens assinaladas e garantir que todas têm atribuição adequada — adicionando referências em falta ou reformulando genuinamente o texto. Podes também verificar se a lista de referências e as citações estão a ser incluídas no cálculo e, se sim, pedir ao orientador para analisar o relatório com essas exclusões ativas. Alterar o texto apenas para enganar o detetor, sem resolver o problema de atribuição, não é uma solução ética e pode agravar as consequências se detetada.

O que acontece se ultrapassar o limiar de similaridade da minha universidade?

Depende da instituição e da natureza das coincidências. As consequências mais comuns incluem pedido de revisão e nova submissão, entrevista com o orientador para clarificação das fontes, ou reprovação do trabalho. Em casos de fraude académica deliberada, pode ser instaurado processo disciplinar. Na maioria dos casos em que o índice elevado se deve a citações corretamente atribuídas, uma explicação fundamentada ao orientador é suficiente para esclarecer a situação.

Garante a Originalidade do Teu Trabalho com Integridade

O Tesify ajuda-te a escrever a tese com as tuas palavras, a parafrasear corretamente e a manter todas as referências em ordem — para que a originalidade do teu trabalho seja genuína, não apenas um número num relatório.

Experimenta o Tesify gratuitamente →