Como Candidatar-se a um Mestrado em Portugal 2026: Requisitos, Documentos e Prazos
Obter um mestrado é, para muitos estudantes, o passo natural depois da licenciatura — mas o processo de candidatura surpreende quem espera encontrar um sistema centralizado como o das licenciaturas. Ao contrário do que acontece no acesso ao 1.º ciclo, candidatar-se a um mestrado em Portugal não passa pelo Concurso Nacional de Acesso (CNA): cada universidade ou politécnico gere os seus próprios editais, calendários e critérios de seriação. Saber como candidatar-se a um mestrado exige, por isso, uma pesquisa cuidada instituição a instituição — e este guia ajuda-te a estruturar esse processo para o ano letivo 2026/2027.
Nas páginas que se seguem encontras os requisitos habituais de acesso, a lista de documentos que quase todos os editais pedem, um mapa dos prazos mais comuns, informação sobre propinas e bolsas, e os erros mais frequentes que os candidatos cometem — muitas vezes tarde demais para os corrigir.
Como funciona o acesso ao mestrado em Portugal
O mestrado corresponde ao 2.º ciclo de estudos no âmbito do Processo de Bolonha, com uma duração habitual de dois anos (120 ECTS), embora existam mestrados integrados de cinco anos e mestrados de um ano e meio (90 ECTS) em algumas áreas. A grande diferença face à licenciatura está na forma como o acesso é gerido:
- Não existe concurso nacional centralizado. O acesso ao 2.º ciclo é da responsabilidade de cada instituição. Não há uma plataforma única equivalente à do CNA para licenciaturas.
- Cada edital é autónomo. Os regulamentos de acesso são aprovados pelos conselhos científicos de cada faculdade ou escola, podendo diferir significativamente mesmo dentro da mesma universidade.
- A seriação é feita pela própria instituição. Os critérios mais comuns incluem a média de licenciatura, entrevista, provas de avaliação de conhecimentos e análise de curriculum.
Isto significa que podes candidatar-te a vários mestrados em simultâneo, em instituições diferentes, sem conflito de processo — basta acompanhar os editais de cada uma.
Requisitos de acesso: o que as universidades exigem
O Decreto-Lei n.º 65/2018, que regula os ciclos de estudos superiores em Portugal, estabelece as condições gerais de acesso ao 2.º ciclo. Na prática, os editais de cada mestrado traduzem esses requisitos da seguinte forma:
Habilitação académica mínima
A regra mais comum é a posse de uma licenciatura (1.º ciclo de Bolonha, 180 ECTS) na área relevante ou em área afim definida pelo edital. Algumas instituições aceitam ainda:
- Grau estrangeiro reconhecido como equivalente a licenciatura portuguesa;
- Currículo académico e profissional que evidencie capacidade para realizar o ciclo de estudos (habilitação especial — menos frequente, sujeita a aprovação pelo conselho científico);
- Grau de mestre ou doutor já obtido (para quem pretende uma segunda especialização).
Média mínima de licenciatura
Não existe uma média nacional obrigatória para mestrados, mas a maioria dos editais estabelece um limiar de acesso. Em cursos com elevada procura — como Direito, Gestão, Engenharia Informática ou Medicina — esse valor pode situar-se entre os 13 e os 15 valores. Cursos com menor concorrência podem aceitar candidatos a partir dos 10 valores. Consulta sempre o edital específico do mestrado que te interessa.
Pré-requisitos específicos
Alguns mestrados interdisciplinares exigem que o candidato tenha cursado determinadas unidades curriculares na licenciatura (por exemplo, Estatística ou Direito Comercial). Outros pedem provas de língua estrangeira — especialmente em programas ministrados em inglês ou com componente internacional. Verifica o edital com atenção antes de avançares.
Documentos necessários para a candidatura
Embora os editais variem, existe um núcleo de documentos que praticamente todas as instituições pedem. Prepara-os com antecedência para não ficares retido num prazo apertado.
| Documento | Notas |
|---|---|
| Certificado de habilitações | Com discriminação de notas por unidade curricular e declaração do número de ECTS obtidos por área científica. Se obtido no estrangeiro, poderá necessitar de autenticação por Apostila da Convenção de Haia ou pelo consulado português. |
| Carta de motivação | Documento essencial na seriação. Deve explicar o percurso académico, os objetivos profissionais e a razão pela qual aquele mestrado específico serve o teu projeto de vida. |
| Curriculum vitae | Formato Europass aceite na generalidade das instituições. Inclui experiência profissional, publicações, voluntariado e outras atividades relevantes. |
| Cartas de recomendação | Geralmente duas a três cartas de professores ou supervisores profissionais. Algumas instituições pedem que sejam enviadas diretamente pelos signatários por e-mail institucional. |
| Documento de identificação | Bilhete de identidade, cartão de cidadão ou passaporte (candidatos estrangeiros). |
| Comprovativo de pagamento de taxa de candidatura | Valor variável consoante a instituição, habitualmente entre 25 € e 75 €. Em regra não é reembolsável. |
| Outros (consoante o curso) | Portfólio (Arquitetura, Design, Belas-Artes), proposta de investigação (mestrados de investigação), prova de língua (programas em inglês), certificado de proficiência em português (candidatos estrangeiros). |

Prazos e fases de candidatura em 2026
Uma das maiores fontes de confusão é a ausência de um calendário nacional único para mestrados. O que existe são tendências gerais — cada instituição define os seus prazos de forma autónoma.
Padrão mais comum em 2026/2027
- 1.ª fase: candidaturas abertas entre fevereiro e julho de 2026. Resulta maioritariamente em admissões para início em setembro/outubro.
- 2.ª fase: candidaturas abertas em setembro/outubro de 2026, para quem não foi admitido na 1.ª fase ou que só nessa altura tomou a decisão.
- Fases extraordinárias: alguns cursos abrem vagas remanescentes em novembro ou janeiro, mas são menos frequentes e sujeitas a disponibilidade.
A título de referência, a Universidade de Aveiro abriu o seu 1.º período de candidatura a mestrados de 3 de fevereiro a 25 de março de 2026; a Universidade de Évora tinha a 2.ª fase programada de 8 a 30 de setembro de 2026, com resultados até 6 de outubro. A Universidade de Coimbra publicou a sua página de candidaturas a mestrados 2026/2027 com as datas por curso. Em qualquer caso, verifica o edital do curso específico, pois os prazos variam mesmo dentro da mesma instituição.
Como acompanhar os editais
A forma mais fiável é subscrever as newsletters das faculdades que te interessam e seguir as respetivas páginas de candidaturas. A DGES disponibiliza também informação de enquadramento legal, mas os editais específicos de mestrado estão sempre nas páginas das próprias instituições.

Propinas e bolsas no mestrado
As propinas no ensino superior público em Portugal para o 2.º ciclo são reguladas por lei, com um valor máximo anual definido pelo Governo. Para o ano letivo 2025/2026, o teto legal nas instituições públicas situa-se nos 697 € por ano para mestrados de dois anos, embora algumas instituições apliquem valores mais elevados para programas com componentes laboratoriais intensivas ou parcerias internacionais. No ensino privado, os valores são substancialmente superiores e variam muito consoante a área e a reputação do programa. Para uma visão completa sobre custos reais, apoios disponíveis e como financiar o mestrado, consulta o guia da Tesify sobre o mestrado em Portugal: guia completo de custos e bolsas 2026.
Bolsa de ação social
Os estudantes de mestrado inscritos em instituições públicas podem candidatar-se à bolsa de ação social da DGES, calculada com base nos rendimentos do agregado familiar. Em 2026/2027, a referência é o Indexante dos Apoios Sociais (IAS), atualmente fixado em 537,13 €. A candidatura faz-se através da plataforma BeOn, gerida pela Direção-Geral do Ensino Superior.
Bolsas de investigação FCT
Para quem pretende avançar para investigação depois do mestrado, vale a pena conhecer as bolsas individuais de doutoramento da FCT. Embora se destinem ao 3.º ciclo, algumas unidades de investigação financiam também bolsas de investigação de mestrado no contexto de projetos aprovados — consulta os centros de investigação das tuas faculdades de interesse.
Mestrados nas principais universidades portuguesas
Portugal dispõe de uma oferta extensa de mestrados. Sem pretender ser exaustivo, aqui ficam referências às instituições com maior dimensão de oferta:
Universidade de Lisboa (ULisboa)
Maior universidade portuguesa, com faculdades como Direito, Medicina, Ciências, Letras, Economia e Instituto Superior Técnico (IST). Cada faculdade tem o seu próprio sistema de candidatura — não existe portal único da ULisboa para mestrados.
Universidade do Porto (U.Porto)
Segunda maior universidade do país, com forte tradição em Engenharia, Ciências da Saúde e Ciências Empresariais. A candidatura é gerida pela plataforma SIGARRA, com prazos divulgados por cada unidade orgânica.
Universidade de Coimbra (UC)
Uma das universidades mais antigas do mundo, com oferta diversificada e forte componente de investigação. A UC publica anualmente a sua página de candidaturas a mestrados com os cursos disponíveis para 2026/2027.
NOVA — Universidade Nova de Lisboa
Composta por escolas como a NOVA FCSH, NOVA SBE, NOVA IMS e a Faculdade de Direito, a NOVA tem vários mestrados com fortes ligações internacionais e componentes em inglês. A NOVA FCSH disponibiliza informação centralizada para candidatos a mestrado e doutoramento.
Universidade do Minho (UMinho)
Com campus em Braga e Guimarães, destaca-se nas áreas de Engenharia, Ciências da Saúde e Educação. As candidaturas são geridas pelo sistema de informação da UMinho com fases alinhadas com o calendário académico nacional.
Dicas para uma candidatura bem-sucedida
1. Lê o edital na íntegra
Parece óbvio, mas muitos candidatos recorrem apenas a resumos ou páginas de divulgação. O edital é o documento vinculativo — é ele que define a ponderação de cada critério de seriação, os documentos exigidos e os prazos de recurso.
2. Cuida da carta de motivação
A carta de motivação é frequentemente o critério de desempate entre candidatos com médias semelhantes. Evita cartas genéricas: menciona professores do departamento cujo trabalho conheces, indica projetos de investigação específicos e explica como o mestrado em questão se insere no teu percurso profissional. Se a escrita académica não é o teu ponto forte, ferramentas como o Tesify podem ajudar-te a estruturar e rever o texto antes de o enviar.
3. Prepara as cartas de recomendação com antecedência
Pede as cartas com pelo menos um mês de antecedência. Fornece ao signatário uma síntese do teu percurso, uma cópia do teu CV e uma breve explicação sobre o que o mestrado implica — facilita a vida ao professor e melhora o resultado final da carta.
4. Autentica os documentos estrangeiros cedo
Se terminaste a licenciatura fora de Portugal ou tens documentos emitidos no estrangeiro, o processo de reconhecimento e autenticação pode demorar entre duas a seis semanas. Inicia este processo logo que decidires avançar com a candidatura.
5. Candidata-te a mais do que uma instituição
Ao contrário das licenciaturas, não há limitação ao número de candidaturas paralelas. Diversifica as tuas apostas: duas ou três instituições aumentam substancialmente as hipóteses de ingresso no mestrado que pretendes.
6. Equaciona o retorno do investimento
Antes de escolheres o programa, consulta informação sobre a empregabilidade dos diplomados do ensino superior em Portugal por área de formação — os dados da DGEEC permitem comparar taxas de emprego e salários entre licenciados e mestres nas principais áreas científicas.
Erros mais comuns a evitar
- Assumir que o CNA cobre o mestrado. O Concurso Nacional de Acesso destina-se apenas ao 1.º ciclo (licenciaturas). Os mestrados têm processos completamente autónomos.
- Ignorar os pré-requisitos científicos. Alguns mestrados em Saúde Pública, Epidemiologia ou Estatística exigem determinadas unidades curriculares na licenciatura. Se não as tiveres, podes ser excluído automaticamente da seriação.
- Submeter documentos não autenticados. Certificados estrangeiros sem autenticação (Apostila ou consulado) são frequentemente rejeitados na fase de verificação documental.
- Confundir pós-graduação não conferente de grau com mestrado. Muitas instituições oferecem pós-graduações (cursos de especialização) que não conferem o grau de mestre. Verifica se o programa que escolhes está registado na DGES como mestrado do 2.º ciclo de Bolonha.
- Deixar a carta de motivação para o último dia. Uma carta escrita às pressas raramente é convincente. Reserva pelo menos uma semana para redigir, rever e pedir feedback.
- Não verificar as propinas antes de aceitar a vaga. O valor das propinas pode variar consideravelmente entre programas, mesmo na mesma universidade. Tem isso em conta no teu planeamento financeiro antes de confirmar a matrícula.
Perguntas Frequentes
O acesso ao mestrado em Portugal passa pelo Concurso Nacional de Acesso?
Não. O Concurso Nacional de Acesso (CNA) destina-se exclusivamente ao 1.º ciclo (licenciaturas). Os mestrados — 2.º ciclo de Bolonha — têm processos de candidatura geridos por cada instituição de ensino superior de forma autónoma, com os seus próprios editais, prazos e critérios de seriação.
Posso candidatar-me a um mestrado com uma licenciatura obtida no estrangeiro?
Sim, desde que a licenciatura seja reconhecida como equivalente ao 1.º ciclo de Bolonha. Os documentos académicos estrangeiros precisam de ser autenticados por Apostila da Convenção de Haia ou pelo consulado português no país de origem, e podem precisar de tradução juramentada se não estiverem em português ou inglês.
Qual a média mínima de licenciatura para entrar num mestrado?
Não existe uma média mínima nacional obrigatória para mestrados em Portugal. Cada edital define o limiar de acesso, que pode variar de 10 valores (em cursos com menor procura) a 13-15 valores (em cursos muito competitivos como Medicina, Direito ou Engenharia Informática). Consulta sempre o edital específico do mestrado que pretendes frequentar.
Quando abrem as candidaturas a mestrado em Portugal?
Não há uma data única nacional. A maioria das instituições organiza uma primeira fase de candidatura entre fevereiro e julho para início em setembro/outubro, e uma segunda fase em setembro/outubro para vagas remanescentes. Universidades como Aveiro, Coimbra, Lisboa e Porto publicam os seus calendários específicos nas páginas de candidaturas de cada faculdade.
Posso candidatar-me a mais do que um mestrado ao mesmo tempo?
Sim. Ao contrário do 1.º ciclo, não existe limite nacional ao número de candidaturas simultâneas a mestrados. Podes submeter candidaturas a vários programas e instituições em paralelo. Se fores admitido em mais do que um, escolhes onde confirmar a matrícula — normalmente mediante pagamento de uma taxa.
Os estudantes de mestrado têm direito a bolsa de ação social?
Sim. Os estudantes matriculados em mestrado numa instituição pública portuguesa podem candidatar-se à bolsa de ação social da DGES, mediante comprovação de condição económica através da plataforma BeOn. O valor da bolsa varia consoante os rendimentos do agregado familiar e pode incluir comparticipação em alojamento, alimentação e transporte.
