Empregabilidade dos Diplomados do Ensino Superior em Portugal 2026: Dados por Área e Salários (DGEEC)

Empregabilidade dos Diplomados do Ensino Superior em Portugal 2026: Dados por Área e Salários (DGEEC)

Empregabilidade dos Diplomados do Ensino Superior em Portugal 2026: Dados por Área e Salários (DGEEC)

Dois vírgula cinco por cento: foi a propensão ao desemprego registada em 2024 entre os recém-diplomados do ensino superior em Portugal — o valor mais baixo da última década e menos de um terço do pico de 9,5% atingido durante a crise financeira de 2014 (DGEEC/InfoCursos, edição 2025). Este número esconde, porém, diferenças muito pronunciadas entre áreas de formação: enquanto os cursos de Saúde, Engenharia e Matemática registam taxas de desemprego inferiores a 1,6%, os de Serviços Sociais, Informação e Jornalismo e Arquitetura ultrapassam os 5% (Brighter Future / DGEEC, 2025).

A empregabilidade dos diplomados do ensino superior é, em 2026, um dos indicadores mais consultados por estudantes que escolhem cursos, por famílias que avaliam o retorno do investimento académico e por jornalistas que cobrem políticas de educação. O portal InfoCursos — gerido pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) — analisa anualmente a situação perante o emprego dos diplomados do ensino público e privado nos 18 meses seguintes à conclusão do curso, cruzando os dados das instituições com os registos do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Na edição de 2025, foram analisados 1.150 cursos superiores, cobrindo os diplomados dos anos letivos 2019/20 a 2022/23.

Este artigo compila os dados mais recentes disponíveis sobre taxas de emprego, propensão ao desemprego por área de formação, salários à saída e o retorno financeiro do ensino superior em Portugal. Cada número citado é rastreável à fonte primária indicada.

Resposta rápida: Em 2024, a propensão ao desemprego dos recém-diplomados do ensino superior em Portugal foi de 2,5% (DGEEC, 2025) — bem abaixo da taxa de desemprego nacional de 6,4% (INE, 2024). As áreas com menor desemprego são Saúde, Engenharia e Matemática (<1,6%). Os licenciados ganham, em média, mais 28% do que trabalhadores com ensino secundário; os mestres, mais 49% (Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2026).

Taxa de Emprego dos Diplomados: o Panorama em 2026

A Pordata registou, com base em dados de março de 2026, uma taxa de emprego de 79,7% para a população com ensino superior em Portugal, face a 57,3% para o total da população em idade ativa (16–89 anos). A diferença de mais de 22 pontos percentuais traduz a vantagem estrutural da qualificação superior no mercado de trabalho — uma tendência que se mantém consistente desde 2021 (Pordata, 2026).

Quando o foco recai nos recém-diplomados — aqueles que terminaram o curso nos quatro anos letivos anteriores —, a propensão ao desemprego foi de 2,5% em 2024, segundo análise da plataforma Brighter Future com base nos dados do IEFP e da DGEEC. A título de comparação, a taxa de desemprego do conjunto da população com ensino superior (não apenas recém-diplomados) foi de 4,7% em 2024, face a mais de 7,3% entre trabalhadores com ensino básico ou ensino secundário — uma diferença de 2,6 pontos percentuais a favor dos mais qualificados (EDUSTAT/INE, 2025).

O contexto intergeracional reforça a relevância deste indicador. De acordo com um policy paper da Fundação Francisco Manuel dos Santos publicado em 2026, a proporção de jovens adultos com ensino superior passou de 11% no final dos anos 1990 para 43% em 2024. Em 2024, mais de 100.000 pessoas concluíram um grau de ensino superior em Portugal — 58% obtiveram uma licenciatura e 33% um mestrado. Apesar desta expansão das qualificações, o prémio de empregabilidade mantém-se robusto.

A trajetória de inserção profissional é igualmente elucidativa: a taxa de emprego dos licenciados sobe de 75% no primeiro ano após a conclusão para 93% ao fim de cinco anos; para os mestres, começa em 88% e atinge também 93% ao quinto ano (FFMS, 2026).

Propensão ao Desemprego por Área de Formação

Gráfico comparativo da propensão ao desemprego de recém-diplomados por área de formação em Portugal, 2024: Saúde e Engenharia com taxas mais baixas, Serviços Sociais e Jornalismo com taxas mais elevadas
Propensão ao desemprego por área de formação, Portugal 2024. Saúde e Engenharia abaixo de 1,6%; Serviços Sociais e Jornalismo acima de 5%. Fonte: DGEEC/InfoCursos, edição 2025.

Os dados de 2024 da plataforma Brighter Future — baseados em 5.252 cursos e 22 áreas de formação do sistema da DGEEC/InfoCursos — revelam um padrão consistente: as áreas STEM e Saúde apresentam taxas de desemprego muito abaixo da média, enquanto áreas relacionadas com ciências sociais e comunicação concentram a maior parte dos cursos com desemprego elevado. A dispersão regional agrava as assimetrias: os diplomados que ficam na Grande Lisboa ou na Península de Setúbal têm propensão ao desemprego abaixo de 2%, enquanto os do Oeste e Vale do Tejo chegam a 3,8% (Brighter Future/DGEEC, 2024).

Propensão ao desemprego de recém-diplomados por área de formação (Portugal, 2024)
Área de Formação Taxa de Desemprego Fonte
Saúde < 1,6% DGEEC/InfoCursos, 2025
Ciências Físicas < 1,6% DGEEC/InfoCursos, 2025
Engenharia e Técnicas Afins < 1,6% DGEEC/InfoCursos, 2025
Matemática e Estatística < 1,6% DGEEC/InfoCursos, 2025
Serviços Sociais > 5% DGEEC/InfoCursos, 2025
Informação e Jornalismo > 5% DGEEC/InfoCursos, 2025
Arquitetura e Construção > 5% DGEEC/InfoCursos, 2025

A evolução temporal é também significativa. Em 2020, no pico da pandemia, a propensão ao desemprego dos recém-diplomados chegou a 5,1%. Em 2023, desceu para 3,4%. A trajetória de melhoria desde 2014 — quando o indicador era de 9,5% — traduz a recuperação do mercado de trabalho português e o aumento da procura de trabalhadores qualificados (Brighter Future/DGEEC, 2024).

Cursos com Mais e Menos Desemprego

Na edição de 2025 do InfoCursos, 87 cursos registaram 0% de desemprego entre os seus recém-diplomados. Lideram, de forma consistente, Medicina, Medicina Veterinária, Medicina Dentária, Ciências Farmacêuticas, vários cursos de Enfermagem e cursos de Educação Básica. Nestes casos, a articulação entre o perfil do curso e a procura de mercado é tão clara que nenhum diplomado ficou registado como desempregado junto do IEFP no período analisado (Público/InfoCursos, junho de 2025).

No extremo oposto, 80 cursos apresentam taxas de desemprego superiores à média nacional de 6,5%. Os três cursos com as taxas mais elevadas registaram 13,1% de desemprego entre os recém-diplomados: Serviço Social da Universidade Católica Portuguesa, Serviço Social do Instituto Superior Miguel Torga e Gestão de Turismo, Património Cultural e Paisagem do Instituto Politécnico de Viseu (Público/InfoCursos, junho de 2025).

“Ainda há 80 cursos com desemprego superior à média nacional” — Público, 27 de junho de 2025, citando dados InfoCursos (DGEEC).

Estes dados têm impacto direto nas decisões de candidatura ao ensino superior. Para perceber como as notas de entrada e as médias de acesso se distribuem por curso e instituição, consulta o nosso guia ao Concurso Nacional de Acesso 2026 — a escolha do curso em função da empregabilidade começa já na fase de candidatura.

Salários dos Diplomados à Saída: o Que Dizem os Dados

Gráfico comparativo do salário médio mensal bruto por grau académico e área de formação em Portugal 2025: Informática com salários mais elevados que Serviços Sociais, mestrado acima da licenciatura em ambas as áreas
Salário médio mensal bruto por área e grau em Portugal (2025). Informática/TIC: €2.426 (licenciatura) vs €2.764 (mestrado). Serviços Sociais: €1.343 vs €1.379. Fonte: DGEEC/EDULOG, Balanço Anual da Educação 2025.

Os dados de remuneração por área de formação são menos detalhados do que os dados de desemprego, mas existem referências concretas. O “Balanço Anual da Educação 2025” do EDULOG (Fundação Belmiro de Azevedo) disponibilizou valores mensais médios para algumas áreas representativas:

Salário médio mensal bruto por área e nível de qualificação (Portugal, 2025)
Área Licenciatura Mestrado Fonte
Informática / TIC € 2.426 € 2.764 EDULOG, 2025
Serviços Sociais € 1.343 € 1.379 EDULOG, 2025

Para o conjunto de todos os licenciados, o INE registou em 2023 um salário médio mensal bruto de €2.414, face a €1.126 para quem completou apenas o 3.º ciclo do ensino básico (CNN Portugal/INE, abril de 2023). A diferença de €1.288 mensais brutos representa um diferencial de 115% a favor dos detentores de licenciatura.

Um estudo conjunto da DGEEC e do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior (CIPES), realizado com uma amostra de mais de 35.000 diplomados e publicado em 2024, concluiu que os licenciados ganham entre 18% e 25% mais do que diplomados de programas de ciclo curto (CTeSP), enquanto os mestres ganham entre 46% e 50% mais. O mesmo estudo identificou um fosso de género persistente: os diplomados do sexo masculino auferem, em média, entre 19% e 23% mais do que as diplomadas (DGEEC/CIPES, 2024, citado pelo Jornal de Negócios, janeiro de 2024).

As profissões STEM — em particular Engenharia e Programação — e os profissionais de Saúde concentram os salários mais elevados entre os jovens diplomados, com médicos e programadores de software entre as categorias mais bem remuneradas (Fundação José Neves, 2025).

O Prémio Salarial do Ensino Superior Vale a Pena?

Ilustração do prémio salarial do ensino superior em Portugal: licenciados ganham em média mais 28% e mestres mais 49% do que trabalhadores com ensino secundário, segundo FFMS 2026
Prémio salarial do ensino superior em Portugal: licenciados ganham +28% e mestres +49% face a trabalhadores com ensino secundário. Fonte: Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2026; Pordata.

A pergunta que muitas famílias fazem ao ponderar o investimento num curso superior tem, em Portugal, uma resposta empírica clara. A Fundação Francisco Manuel dos Santos estima, no seu policy paper de 2026, que cada euro investido em ensino superior gera 13,7 euros adicionais ao longo da vida — um retorno 68% acima da média da União Europeia, onde o valor equivalente é 8,2 euros.

O prémio salarial é consistente com esta estimativa. Comparados com trabalhadores com ensino secundário, os licenciados ganham em média mais 28% e os mestres mais 49%, segundo o mesmo estudo da FFMS (2026). O relatório EDULOG aponta valores mais elevados para as mesmas categorias — licenciados +69% e mestres +86% (Balanço Anual da Educação 2025) —, diferença que reflete distinções metodológicas entre os dois estudos, nomeadamente a composição dos grupos de comparação.

O custo de acesso é, porém, uma variável central. Em Portugal, o financiamento familiar do ensino superior representa cerca de 30% dos custos totais — o dobro da média da UE (13%) —, e os custos por estudante são 35% abaixo da média europeia (FFMS, 2026). Para quem equaciona ir além da licenciatura, o custo de um doutoramento é uma dimensão adicional: o que custa um doutoramento em Portugal e no Brasil em 2026 é um dado que pode condicionar a decisão de investimento académico.

O Governo português criou, pelo Decreto-Lei n.º 134/2023, um prémio salarial de valorização das qualificações que isenta de IRS os rendimentos de jovens diplomados até aos 35 anos durante os primeiros anos de carreira, melhorando o retorno líquido do investimento académico (DGES, 2025). As propinas no ensino superior em Portugal em 2026 e os apoios disponíveis são outra dimensão a considerar no cálculo do retorno.

O Impacto do Mestrado na Empregabilidade e nos Salários

Cerca de 40% dos licenciados avançam para o mestrado — uma decisão que, segundo os dados disponíveis, se traduz em benefícios tanto salariais como de empregabilidade no curto prazo (EDULOG, 2025). No primeiro ano após a conclusão do mestrado, 88% dos mestres estão empregados, face a 75% dos licenciados no mesmo período; ao fim de cinco anos, ambos os grupos convergem para uma taxa de emprego de 93% (FFMS, 2026).

O que distingue os dois grupos a longo prazo é menos a probabilidade de estar empregado e mais o nível de remuneração e o tipo de funções desempenhadas. Na área de Informática, um mestre ganha em média €2.764/mês, face a €2.426 para um licenciado da mesma área — uma diferença de €338/mês, ou €4.056/ano brutos (EDULOG, 2025). Em Serviços Sociais, o diferencial é muito menor: €1.379 (mestrado) versus €1.343 (licenciatura), o que sugere que o retorno do mestrado varia substancialmente consoante a área de formação.

Para quem está no processo de escrever a dissertação de mestrado, o artigo sobre a estrutura de uma dissertação de mestrado em 2026 detalha o que o júri espera de cada capítulo. Para quem pondera o abandono durante o percurso, os dados sobre o abandono no ensino superior em Portugal mostram os principais fatores de desistência e como as instituições os estão a combater.

Portugal no Contexto Europeu

A nível da União Europeia, a taxa de emprego dos recém-diplomados do ensino superior atingiu 87% em 2025, contra 83% para o total dos recém-diplomados (Eurostat, junho de 2026). Os países com melhores resultados incluem Malta (91,0%), Alemanha (90,6%) e Países Baixos (90,1%). No extremo oposto, a Grécia registou 62,4% e a Itália 71,8% (Eurostat, 2026).

Portugal destaca-se pela rapidez de crescimento do nível de qualificação: a proporção de jovens adultos (25–34 anos) com ensino superior subiu de 33,2% em 2015 para 43,2% em 2024, aproximando-se da média da UE de 44,1% (Eurostat, 2025). Esta convergência qualificacional constitui um fator positivo para a competitividade do país — desde que o mercado de trabalho consiga absorver os diplomados em funções adequadas à sua formação, evitando a sobrequalificação aparente que ainda afeta uma parte dos recém-diplomados, particularmente nas áreas de humanidades e serviços.

O diferencial de empregabilidade entre quem tem e quem não tem ensino superior também se verifica entre os jovens: em 2024, a taxa de desemprego dos jovens de 25 a 34 anos com ensino superior foi de 5,8%, face a 8,9% para os detentores do 3.º ciclo do ensino básico (EDUSTAT/INE, 2025).

Perguntas Frequentes

Qual é a taxa de desemprego dos diplomados do ensino superior em Portugal em 2024?

A propensão ao desemprego dos recém-diplomados foi de 2,5% em 2024 — o valor mais baixo da última década —, segundo a DGEEC/InfoCursos (edição 2025). A taxa de desemprego do conjunto da população com ensino superior (não apenas recém-diplomados) foi de 4,7% em 2024, face a mais de 7,3% entre trabalhadores com ensino básico ou secundário (EDUSTAT/INE, 2025).

Qual a área de formação com maior empregabilidade em Portugal?

As áreas com menor propensão ao desemprego em 2024 são Saúde, Ciências Físicas, Engenharia e Técnicas Afins e Matemática e Estatística, todas com taxas abaixo de 1,6% (DGEEC/InfoCursos, 2025). No conjunto do sistema, 87 cursos do ensino superior português registaram 0% de desemprego entre os seus recém-diplomados (InfoCursos, edição 2025).

Quanto ganha, em média, um licenciado em Portugal?

Segundo dados do INE relativos a 2023, o salário médio mensal bruto de quem tem uma licenciatura é de €2.414, face a €1.126 para quem completou o 9.º ano (CNN Portugal/INE, 2023). Os licenciados ganham em média entre 28% e 69% mais do que trabalhadores com ensino secundário, dependendo da metodologia e do período analisado (FFMS, 2026; EDULOG, 2025).

Vale a pena fazer mestrado do ponto de vista salarial?

Em geral, sim — especialmente em áreas STEM. Na área de Informática, um mestre ganha em média €2.764/mês face a €2.426 para um licenciado da mesma área (EDULOG, 2025). Os mestres ganham entre 49% (FFMS, 2026) e 86% (EDULOG, 2025) mais do que trabalhadores com ensino secundário. O diferencial de salário é muito menor em áreas como Serviços Sociais.

Quais os cursos com maior desemprego em Portugal?

Na edição 2025 do InfoCursos, os três cursos com maior propensão ao desemprego entre recém-diplomados registaram 13,1%: Serviço Social da Universidade Católica Portuguesa, Serviço Social do Instituto Superior Miguel Torga e Gestão de Turismo, Património Cultural e Paisagem do Instituto Politécnico de Viseu (Público/InfoCursos, junho de 2025).

O que é o portal InfoCursos da DGEEC?

O InfoCursos (infocursos.medu.pt) é um portal da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) que publica anualmente dados de empregabilidade dos recém-diplomados do ensino superior em Portugal, cruzando dados das instituições de ensino com registos do IEFP. A edição de 2025 analisou 1.150 cursos superiores com base em diplomados dos anos letivos 2019/20 a 2022/23.

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