Como Citar uma Fonte Secundária (Citado Por / Apud) em 2026: NP 405 e APA 7
Estás a redigir o enquadramento teórico da tese e deparas-te com um problema concreto: um artigo que consultaste cita um livro clássico que não consegues encontrar — está esgotado, existe apenas numa língua que não dominas, ou está em arquivo físico de acesso restrito. Podes usar essa citação sem ter lido o original? A resposta é sim, mas há regras precisas que tens de seguir. Citar fontes secundárias — o que a NP 405 designa “apud” ou “citado por”, e a APA 7 “como citado em” — é uma prática academicamente aceitável em circunstâncias específicas, com um formato próprio no texto e na lista de referências.
Quando mal executada, a citação de segunda mão cria dois problemas em simultâneo: atribuis ao autor original palavras que não confirmaste, e induzis o júri a pensar que acedeste a uma fonte que nunca leste. Este guia explica o que são fontes secundárias, quando as podes usar com legitimidade, e como as formatar correctamente em NP 405 e em APA 7 — com exemplos prontos a copiar para a tua tese em 2026.
Em NP 405: no texto escreve
(AUTOR ORIGINAL, ano apud AUTOR CONSULTADO, ano, p. X); na bibliografia entra apenas a obra que realmente consultaste. Em APA 7: no texto escreve (Autor Original, ano, como citado em Autor Consultado, ano, p. X); na lista de referências inclui só a obra que leste. Em ambas as normas, a citação de segunda mão deve ser usada com parcimónia e apenas quando o acesso ao original é genuinamente impossível.
O que é uma fonte secundária

Uma fonte secundária — também designada “citação em segunda mão” ou “citação indirecta” — ocorre quando citas um autor a que não acedeste directamente, mas cujas ideias ou palavras encontraste citadas dentro de outra obra que leste. A obra que tens em mãos é a fonte que consultaste (a intermediária); o autor que essa obra cita é a fonte original (a primária).
Exemplo prático: imagina que estás a ler Cognição e Ensino Superior, de Monteiro (2022), e esse livro cita uma passagem de Teorias da Aprendizagem, de Ferreira (1998) — um manual esgotado que não existe em PDF nem nas bibliotecas universitárias portuguesas. Se quiseres utilizar a ideia de Ferreira (1998), estás perante uma citação de fonte secundária: leste a passagem em Monteiro (2022), não em Ferreira (1998). Tens de o indicar expressamente.
A distinção não é meramente formal. O júri de uma tese sabe que afirmar “li Ferreira (1998)” quando não o leste é uma imprecisão academicamente séria. Para além disso, a fonte intermediária pode ter citado o original de forma incompleta ou fora de contexto — razão pela qual a citação de segunda mão deve ser sempre a última opção, não a primeira.
Quando evitar — e quando é legítimo
A APA Style (2020) é explícita: recomenda que as fontes secundárias sejam citadas com parcimónia, “por exemplo, quando o trabalho original está esgotado, não está disponível pelas fontes habituais, ou só existe num idioma que o autor não domina” (APA, 2020, p. 258). A NP 405 partilha a mesma filosofia de prudência.
Situações em que a citação de segunda mão é academicamente justificada:
- A obra original está esgotada e não existe versão digitalizada ou em repositório de acesso aberto.
- O texto original está numa língua para a qual não existe tradução acessível e que o autor não domina.
- Trata-se de documentos históricos em arquivo físico de consulta restrita.
- O prazo de entrega não permite solicitar a obra por empréstimo interbibliotecário.
Situações em que a citação de segunda mão não deve ser usada:
- O original está disponível em repositórios como o RCAAP, o Repositório Aberto ou o Google Scholar — nesse caso, vai buscá-lo.
- A obra existe em versão digital paga: considera o empréstimo interbibliotecário gratuito via RNBP antes de desistir.
- Pretendes citar extensivamente: usar de forma sistemática fontes secundárias é sinal de revisão de literatura superficial e pode ser apontado em arguição.
Uma sugestão prática: antes de recorrer à citação de segunda mão, avalia se podes parafrasear a ideia geral com base na fonte que tens em mãos, citando apenas essa como fonte primária. O guia sobre como parafrasear corretamente sem plágio explica como fazer essa transição de forma rigorosa.
Formato em NP 405: exemplos no texto e na bibliografia
A Norma Portuguesa NP 405 prevê dois sistemas de citação: o sistema autor-data (o mais comum em ciências sociais e humanas) e o sistema numérico com notas de rodapé (frequente em direito e engenharia). Em ambos os casos, a citação de segunda mão utiliza os termos “apud” (segundo, conforme) ou “cit. por” (citado por) para sinalizar que não houve acesso directo ao original.
Para uma revisão completa das regras gerais da norma, consulta o guia sobre a Norma Portuguesa NP 405 em 2026. Aqui detalhamos especificamente o caso das fontes secundárias.
Sistema autor-data (no corpo do texto)
A fórmula é: (SOBRENOME DO ORIGINAL, ano apud SOBRENOME DO CONSULTADO, ano, p. X)
“A aprendizagem emerge sempre na zona de desenvolvimento proximal” (FERREIRA, 1998 apud MONTEIRO, 2022, p. 87).
Citação indirecta (paráfrase):
Ferreira (1998 apud MONTEIRO, 2022, p. 87) defende que o desenvolvimento cognitivo depende da interacção social.
Repara que em NP 405 os apelidos surgem habitualmente em maiúsculas no texto entre parênteses, seguindo a tradição das ciências sociais portuguesas.
Sistema numérico com notas de rodapé
No sistema de rodapé, a nota correspondente ao número sobrescrito no texto inclui a indicação “Apud” ou “Cit. por”, com os dados completos da obra intermediária:
Na bibliografia (NP 405)
Entra apenas a obra que realmente consultaste — no exemplo, Monteiro (2022). A obra original de Ferreira (1998) não aparece na lista de referências bibliográficas, porque não a leste.
Formato em APA 7: exemplos no texto e na lista de referências
Em APA 7, a expressão equivalente é “como citado em”. Ao contrário do que algumas fontes de segunda mão (valha a ironia) afirmam, o APA 7 é muito claro: na lista de referências entra apenas a fonte secundária que consultaste — nunca a obra original que não leste.
No texto
Fórmula parentética: (Sobrenome Original, ano, como citado em Sobrenome Consultado, ano, p. X)
A aprendizagem é inseparável do contexto social em que ocorre (Ferreira, 1998, como citado em Monteiro, 2022, p. 87).
Forma narrativa:
Ferreira (1998, como citado em Monteiro, 2022, p. 87) argumentou que o desenvolvimento cognitivo depende da interacção com pares mais experientes.
Se não souberes o ano da obra original, omite-o e escreve apenas: (como citado em Monteiro, 2022, p. 87).
Na lista de referências (APA 7)
Exactamente como na NP 405: entra unicamente a obra que leste. No exemplo, Monteiro (2022).
Para outros casos específicos de citação em APA 7 — sítios web, redes sociais e legislação — existem guias dedicados: como citar um site em APA 7 e como citar uma lei em NP 405 e APA. Para uma referência abrangente a todos os tipos de fontes neste estilo, o guia completo de citações APA 7 da Tesify cobre desde livros e artigos científicos a dissertações e sítios web.
Tabela comparativa NP 405 vs APA 7

| Aspecto | NP 405 | APA 7 |
|---|---|---|
| Expressão usada no texto | apud / cit. por | como citado em |
| Posição no texto (parentética) | (FERREIRA, 1998 apud MONTEIRO, 2022, p. 87) | (Ferreira, 1998, como citado em Monteiro, 2022, p. 87) |
| Na lista de referências | Só a obra consultada | Só a obra consultada |
| A obra original entra na bibliografia? | Não | Não |
| Sistema de rodapé disponível? | Sim (com “Apud” na nota) | Não (APA 7 não usa rodapé para citações) |
| Recomendação de uso | Com moderação | Com parcimónia |
| Capitalização do apelido no texto | Maiúsculas (MONTEIRO, 2022) | Inicial maiúscula (Monteiro, 2022) |
O que entra na lista de referências
A regra é uniforme nas duas normas: só entra na lista de referências aquilo que realmente leste. A obra original — aquela que encontraste citada dentro da obra que consultaste — não entra, porque não a leste.
Há um equívoco frequente nas teses portuguesas: o estudante coloca na bibliografia tanto a obra original como a obra consultada, “para parecer mais fundamentado”. Esta prática está incorrecta e é contraproducente: o júri repara na inconsistência quando pergunta em arguição sobre o original e percebe que nunca foi lido.
A excepção a esta regra ocorre quando, no decurso da pesquisa, acabas por localizar e ler o original. Nesse caso, deixas de ter uma citação de segunda mão — citas directamente o original e incluí-lo na lista de referências passa a ser obrigatório.
Se usas um gestor de referências como o Zotero ou o Mendeley, consulta o artigo Zotero vs Mendeley 2026. Ambos os programas permitem criar campos de notas para registar a intermediação, mas não geram automaticamente o formato “apud” ou “como citado em” para NP 405 ou APA 7 — o ajuste no texto do trabalho tem de ser feito manualmente.
Erros mais comuns
- Omitir a indicação da fonte secundária no texto. Escrever apenas “(Ferreira, 1998)” quando leste em Monteiro (2022) é errado: sugeres que leste Ferreira directamente.
- Colocar a obra original na lista de referências. Se não leste Ferreira (1998), não o pões na bibliografia — por mais prestígio que o nome do autor tenha.
- Usar “apud” em APA 7 ou “como citado em” em NP 405. As expressões não são intercambiáveis entre normas. Escolhe a que corresponde ao sistema que o teu orientador indicou e mantém-na de forma consistente.
- Usar “apud” incorrectamente no plural ou com ponto intermédio. “Apud” é invariável em latim. Não existe “apuds”. O ponto final surge apenas quando a frase termina nessa palavra.
- Confundir “apud” com “idem” ou “ibidem”. “Idem” (o mesmo autor) e “ibidem” (a mesma obra, citada na nota imediatamente anterior) são notas de rodapé para repetição de referências — nada têm a ver com fontes secundárias.
- Encadear fontes secundárias. Citar uma fonte secundária de uma fonte secundária — por exemplo, (COSTA, 2000 apud SILVA, 2015 apud MONTEIRO, 2022, p. 12) — é inaceitável. Nestes casos, usa Monteiro (2022) como fonte primária e cita apenas essa.
- Não indicar a página. Como não acedeste ao original, a indicação da página da obra consultada é fundamental para que o júri possa verificar a passagem.
Na revisão final do trabalho, verifica cada ocorrência de “apud” ou “como citado em” com atenção redobrada. O artigo sobre a revisão final da tese antes de entregar inclui um ponto de controlo específico para a coerência entre citações no texto e referências bibliográficas.
Perguntas frequentes
Posso usar “apud” em APA 7?
Não. Em APA 7 a expressão correcta é “como citado em” (ou “as cited in” em textos em inglês). O termo “apud” é exclusivo da NP 405 e de outras normas de tradição latina. Usar “apud” num trabalho em formato APA é uma mistura de normas que deve ser evitada.
E se não sei o ano da obra original?
Em APA 7, omite o ano do original e escreves apenas: (como citado em Monteiro, 2022, p. 87). Em NP 405 no sistema autor-data, escreves: (FERREIRA, s.d. apud MONTEIRO, 2022, p. 87). A abreviatura “s.d.” significa “sem data”.
Qual é o limite de citações de fontes secundárias aceitável numa tese?
Não existe um número fixo, mas tanto a APA como a generalidade dos manuais académicos portugueses recomendam que as citações de segunda mão sejam excepcionais e não sistemáticas — reservadas para quando o acesso directo ao original é genuinamente impossível. Um capítulo com múltiplos “apud” sinaliza uma revisão de literatura pouco aprofundada e pode ser criticado em arguição.
O Turnitin ou outros detectores de plágio detectam citações de segunda mão incorrectas?
Os detectores de plágio não identificam directamente o erro de citar uma fonte que não leste. No entanto, o júri pode confrontar-te em arguição sobre obras que citaste como primárias mas nunca consultaste. A integridade académica neste ponto é uma responsabilidade do autor, não de uma ferramenta automática.
A expressão “citado por” é equivalente a “apud” em NP 405?
Sim. A NP 405 aceita ambas as formas — “apud” e “cit. por” (abreviatura de “citado por”). O mais importante é ser consistente ao longo de todo o trabalho: escolhe uma forma e usa sempre a mesma. A mistura das duas dentro do mesmo documento não é recomendada.
Posso citar uma tradução de uma obra clássica como se fosse a obra original?
Sim — se leste a tradução, citas a tradução como fonte primária, incluindo o nome do tradutor na referência conforme a NP 405 ou APA 7. Não é uma citação de segunda mão porque acedeste efectivamente ao texto, ainda que em versão traduzida. A citação de segunda mão só ocorre quando leste a citação dentro de outra obra, sem aceder directamente ao texto que estás a citar.
Trata as tuas referências com rigor desde o primeiro rascunho
Gerir dezenas de referências numa tese — distinguir o que leste directamente do que encontraste em segunda mão, garantir que todos os “apud” têm a entrada correcta na bibliografia, verificar que nenhuma obra entra na lista sem ter sido realmente consultada — é um trabalho minucioso. O Tesify ajuda-te a estruturar e a rever a tua tese com rigor académico, com suporte a normas NP 405 e APA 7. Experimenta gratuitamente e reduz o risco de erros de referenciação que custam pontos na arguição.
