Doutoramentos em Portugal 2026: Quantos Doutorados, Áreas e Tempo Médio de Conclusão (DGEEC/FCT)
Portugal contava com 43.173 doutorados residentes em 2023, segundo dados provisórios do Inquérito aos Doutorados (CDH 2023) da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC). Este número representa um crescimento de 73% em pouco mais de uma década: em 2012 o stock era bastante inferior, e a trajetória de expansão não abrandou mesmo com os constrangimentos do mercado académico português. Para quem procura os dados mais atualizados sobre doutorados em Portugal — seja para contextualizar uma investigação, avaliar uma carreira ou fundamentar uma candidatura a bolsa —, este artigo compila os números com as respetivas fontes primárias.
Os dados analisados provêm de quatro fontes principais: o Inquérito aos Doutorados (CDH) da DGEEC, com periodicidade trienal; o inquérito RAIDES (Registo de Alunos Inscritos e Diplomados do Ensino Superior) da DGEEC, com dados anuais sobre novos diplomados; os resultados anuais dos concursos de Bolsas de Doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT); e os indicadores comparativos da OCDE (Education at a Glance). A distinção entre stock — total de doutorados residentes num dado momento — e fluxo — novos doutoramentos conferidos por ano — é fundamental para interpretar corretamente os valores apresentados, e será esclarecida na primeira secção.
O artigo cobre também a distribuição por área científica, o perfil de género, a empregabilidade, a comparação europeia e os números das bolsas FCT. Quem estiver a ponderar iniciar um doutoramento encontrará enquadramento adicional no nosso artigo sobre a diferença entre tese e dissertação e nos dados sobre abandono no ensino superior em Portugal.
Portugal tinha 43.173 doutorados residentes em 2023 (DGEEC CDH 2023), crescimento de +14% face a 2020 e de +73% face a 2012. As três maiores áreas são Ciências Exatas e Naturais (28%), Ciências Sociais (25%) e Engenharia e Tecnologias (19%). A FCT atribuiu 1.550 bolsas de doutoramento no concurso de 2025, com um investimento de €133 milhões e uma taxa global de aprovação de 37%.
Stock vs. fluxo: dois indicadores distintos
Quando se fala em “quantos doutorados há em Portugal”, é indispensável distinguir dois conceitos que respondem a perguntas diferentes:
- Stock de doutorados residentes: total de pessoas com grau de doutor que vivem em Portugal (com menos de 70 anos), independentemente de o doutoramento ter sido obtido em Portugal ou no estrangeiro. É o indicador medido pelo CDH da DGEEC, com base em inquérito direto.
- Fluxo anual de novos doutoramentos: número de graus de doutor conferidos pelas instituições de ensino superior portuguesas num dado ano letivo. É medido pelo inquérito RAIDES da DGEEC, de periodicidade anual.
De acordo com o RAIDES (DGEEC, Estatísticas da Educação 2022/2023), os diplomas de doutoramento (3.º ciclo) representaram 5,7% dos 95.608 diplomados do ensino superior no ano letivo 2022/2023. O total cumulativo de doutoramentos conferidos em Portugal aproximava-se de 38.000 em 2022, de acordo com dados do mesmo sistema de registo. A diferença entre este valor e o stock de doutorados residentes (43.173 em 2023) reflete a chegada de doutorados estrangeiros ao país, o regresso de portugueses que obtiveram o grau no exterior e, em sentido contrário, a emigração de doutorados portugueses.
Evolução histórica de doutorados em Portugal (2009–2023)

O Inquérito aos Doutorados da DGEEC, realizado com periodicidade aproximadamente trienal, permite traçar a seguinte trajetória do stock de doutorados residentes em Portugal:
| Ano do inquérito | Doutorados residentes | Variação | Fonte |
|---|---|---|---|
| 2009 | 19.034 | — | DGEEC, CDH 2009 |
| 2015 | 30.807 | +62% | DGEEC, CDH 2015 |
| 2020 | 37.113 | +20% | DGEEC, CDH 2020 |
| 2023 | 43.173 | +14% | DGEEC, CDH 2023 (provisórios) |
O crescimento desde 2009 foi superior a 127%, e o crescimento desde 2012 aproxima-se de 73%, segundo a DGEEC. O ritmo de expansão desacelerou entre 2015 e 2020 (+20%) e manteve-se moderado entre 2020 e 2023 (+14%). Um dos fatores que pode explicar esta moderação é a pressão emigratória: uma proporção significativa dos titulares de doutoramento obtidos nos últimos anos exerce funções no estrangeiro — sobretudo no Reino Unido, na Alemanha, em Espanha e nos Estados Unidos —, reduzindo o stock nacional.
O investimento público em ciência e tecnologia, nomeadamente através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e dos contratos com a FCT, é frequentemente apontado como motor do crescimento do número de doutorados. A expansão da rede de politécnicos com capacidade doutoral, introduzida pela Lei n.º 16/2023, de 10 de abril, poderá igualmente contribuir para aumentar o fluxo anual de novos doutoramentos nos próximos anos.
Distribuição por área científica

O Inquérito aos Doutorados de 2023 (DGEEC CDH 2023) identifica três grandes domínios onde se concentra a maioria dos doutorados residentes em Portugal:
| Área científica | % dos doutorados residentes (2023) | Fonte |
|---|---|---|
| Ciências Exatas e Naturais | 28% | DGEEC, CDH 2023 |
| Ciências Sociais | 25% | DGEEC, CDH 2023 |
| Engenharia e Tecnologias | 19% | DGEEC, CDH 2023 |
| Humanidades, Artes, Ciências Médicas e outras | 28% | DGEEC, CDH 2023 (valor residual calculado) |
Tendência histórica: a ascensão das Ciências Sociais
Um estudo publicado em 2025 na Frontiers in Education e indexado no PMC (Oliveira et al., 2025), que analisou as trajetórias de bolseiros FCT desde 1995, documenta uma transformação marcante na composição por área ao longo de duas décadas:
| Área (bolseiros FCT) | Coorte 1995-97 | Coorte 2012 | Fonte |
|---|---|---|---|
| Ciências Naturais | 32,1% | 19,5% | Oliveira et al. (2025), PMC |
| Engenharia/Tecnologia | 30,0% | 22,2% | Oliveira et al. (2025), PMC |
| Ciências Sociais | 13,6% | 26,8% | Oliveira et al. (2025), PMC |
| Humanidades/Artes | 6,4% | 12,9% | Oliveira et al. (2025), PMC |
A quasi-duplicação do peso das Ciências Sociais e das Humanidades reflete tanto a expansão das universidades portuguesas nestes domínios como a abertura dos concursos FCT a áreas antes sub-representadas no financiamento público de ciência.
Perfil dos doutorados: género e internacionalização
Feminização do doutoramento
Em 2023, as mulheres representavam 51% dos doutorados residentes em Portugal, de acordo com a DGEEC (CDH 2023), invertendo a predominância masculina registada em 2012. Esta feminização acompanha um padrão europeu mais amplo. Os dados sobre bolseiros FCT confirmam o mesmo sentido: nas coortes de 1995-1997, as mulheres representavam 46,5% dos bolseiros de doutoramento; na coorte de 2012, já eram 57,7% (Oliveira et al., 2025 / PMC).
Doutorandos estrangeiros
A internacionalização é outro traço saliente. Entre os bolseiros FCT analisados no estudo citado, a proporção de bolseiros de nacionalidade estrangeira cresceu de 2,5% (coortes 1995-97) para 8,7% (coorte 2012), uma expansão de quase quatro vezes. Os dados mais recentes das universidades portuguesas apontam para uma continuação desta tendência, sustentada por programas como as bolsas FCT para doutorandos internacionais e pela atração de talento enquadrada no PRR. Para contextualizar com dados globais sobre mobilidade, veja o nosso artigo sobre estudantes internacionais no ensino superior em Portugal 2026.
Empregabilidade e sector de actividade
A empregabilidade dos doutorados residentes em Portugal é elevada em termos relativos. Segundo o CDH 2023 da DGEEC, 95% dos doutorados estavam empregados à data do inquérito. A distribuição por sector de actividade é a seguinte:
| Sector | % dos doutorados empregados | Fonte |
|---|---|---|
| Universidades e Institutos Politécnicos | 77% | DGEEC, CDH 2023 |
| Estado (administração pública) | 11% | DGEEC, CDH 2023 |
| Empresas | 10% | DGEEC, CDH 2023 |
| Instituições Privadas sem Fins Lucrativos | 3% | DGEEC, CDH 2023 |
A DGEEC assinala, no relatório CDH 2023, uma diminuição gradual do peso do ensino superior como destino laboral dos doutorados, com crescimento correlativo no sector empresarial e nas IPSFL. Esta desconcentração face à academia é modesta mas consistente ao longo dos inquéritos.
Sobre a natureza do vínculo contratual, o estudo Oliveira et al. (2025 / PMC) — que analisou ex-bolseiros FCT em 2020 — identificou que 68% tinham contrato permanente e 32% contratos a prazo, num universo em que a taxa de desemprego era de 2,3%. Para dados completos sobre salários e perspetivas de carreira por área de formação, consulte a nossa análise sobre empregabilidade dos diplomados do ensino superior em Portugal 2026.
Portugal na Europa: comparação OCDE

Portugal posiciona-se abaixo da média dos países da OCDE em vários indicadores de formação doutoral. A tabela seguinte apresenta os valores com fonte e ano verificados:
| Indicador | Portugal | Média OCDE / UE | Fonte e ano |
|---|---|---|---|
| Doutores na força laboral | 0,9% | 1,3% (OCDE) | OCDE / PMC, 2022 |
| Novos doutores por 1.000 hab. (25-34 anos) | 1,9 | 2,01 (UE, 2015) | OCDE / Oliveira et al. (2025) — dado de 2015 |
| Novos inscritos no doutoramento com menos de 30 anos | 36,1% | Superior à média (36.º/41) | OCDE, Education at a Glance 2025 |
Nota: o dado de “por 1.000 habitantes” (2015) é o valor publicado mais recente no estudo citado; valores mais recentes podem diferir. Para dados Eurostat actualizados, consulte directamente Eurostat — Tertiary Education Statistics.
O indicador de 36,1% de inscritos com menos de 30 anos — 36.ª posição entre 41 países avaliados pela OCDE em 2023 — traduz um perfil de entrada no doutoramento relativamente tardio em Portugal, possivelmente associado a percursos profissionais mais longos antes da decisão de prosseguir para o 3.º ciclo. A diferença entre o stock de 43.173 doutorados residentes e a densidade ainda abaixo da média europeia reflete, em parte, os fluxos emigratórios de investigadores qualificados que reduzem o capital humano altamente especializado no país.
Bolsas FCT: financiamento e concorrência
A Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) é o principal financiador de bolsas individuais de doutoramento em Portugal. Os concursos anuais têm registado crescimento no número de candidaturas, tornando a competição progressivamente mais exigente.
| Concurso | Candidaturas avaliadas | Bolsas atribuídas | Taxa global | Investimento | Fonte |
|---|---|---|---|---|---|
| FCT 2024 | ~3.750 | ~1.450 | ~40% | — | FCT.pt |
| FCT 2025 | 4.117 | 1.550 | 37% | €133 M | FCT.pt, 2025 |
No concurso de 2025 (FCT.pt), as bolsas distribuíram-se por duas linhas: a linha geral (1.000 bolsas) e a linha de ambiente não-académico (550 bolsas), num investimento global de €133 milhões (cerca de €85,8 M na linha geral e €47,2 M na linha não-académica). A distribuição por área científica na linha geral foi liderada pelas Ciências Sociais e pela Engenharia e Tecnologia, seguidas das Humanidades e Artes, das Ciências Naturais e Agrárias, das Ciências Médicas e da Saúde e das Ciências Exatas.
A linha de ambiente não-académico — para doutorandos que desenvolvem o projeto em parceria com empresas — reflete uma prioridade estratégica da FCT de aumentar a transferência de conhecimento para o sector privado. Das candidaturas com mérito suficiente para financiamento, 58% foram atribuídas a mulheres e 42% a homens. Para uma análise detalhada da distribuição por universidade e área científica, consulte as Estatísticas FCT 2026 de Bolsas de Doutoramento por Universidade e Área Científica.
Para um guia completo sobre como candidatar-se, prazos e valores mensais das bolsas, consulte o nosso artigo sobre a bolsa FCT de doutoramento 2026. Sobre os custos das propinas de doutoramento nas universidades portuguesas, veja também propinas no ensino superior em Portugal 2026.
Tempo médio de conclusão do doutoramento
Os dados mais robustos disponíveis sobre tempo de conclusão de doutoramentos em Portugal provêm do estudo de Oliveira et al. (2025), publicado no PMC (Frontiers in Education), que analisou as trajetórias de 5.819 bolseiros FCT financiados entre 1995 e 2012.
- Tempo médio global de conclusão (bolseiros FCT): 5,06 anos
- Coortes 1995-97: 5,54 anos em média
- Coorte 2012: 4,67 anos em média
- Taxa de conclusão (bolseiros FCT): cerca de 88% (5.093 de 5.819 bolseiros)
- Fonte: Oliveira et al. (2025), Frontiers in Education / PMC11914870
A tendência de redução do tempo médio — de 5,54 para 4,67 anos ao longo de duas décadas — reflete melhorias na gestão dos projetos de doutoramento e uma maior formalização dos programas de 3.º ciclo após a implementação do Processo de Bolonha em Portugal. O doutoramento típico tem uma duração regulamentar de 3 a 4 anos (6 a 8 semestres, 180 a 240 ECTS), mas o tempo real de conclusão supera frequentemente este prazo, mesmo entre bolseiros com financiamento dedicado.
Perguntas frequentes
Quantos doutorados há em Portugal em 2025?
O dado mais recente publicado pela DGEEC é de 2023: 43.173 doutorados residentes em Portugal com menos de 70 anos (Inquérito aos Doutorados CDH 2023, dados provisórios). O próximo inquérito CDH deverá reportar dados de 2026. Com base na tendência de crescimento de +14% entre 2020 e 2023, o número poderá ter continuado a aumentar em 2024-2025, embora não existam dados oficiais publicados para estes anos.
Qual a área científica com mais doutorados em Portugal?
De acordo com o CDH 2023 da DGEEC, as Ciências Exatas e Naturais concentram 28% dos doutorados residentes em Portugal, seguidas das Ciências Sociais (25%) e da Engenharia e Tecnologias (19%). Esta distribuição reflete décadas de investimento prioritário em ciência e tecnologia, embora as Ciências Sociais tenham ganho peso significativo desde os anos 1990.
Quantas bolsas de doutoramento atribui a FCT por ano?
A FCT tem atribuído cerca de 1.450 a 1.550 bolsas de doutoramento por ano nos concursos recentes. No concurso de 2025 (FCT.pt), atribuiu 1.550 bolsas (1.000 na linha geral e 550 na linha de ambiente não-académico) num universo de 4.117 candidaturas avaliadas (de 4.169 recebidas), com uma taxa global de aprovação de 37% e um investimento total de €133 milhões. Em 2024 atribuiu cerca de 1.450 bolsas.
Qual é o tempo médio de conclusão de um doutoramento em Portugal?
Para bolseiros FCT, o tempo médio de conclusão foi de 5,06 anos (Oliveira et al., 2025, PMC / Frontiers in Education). As coortes mais recentes analisadas (2012) concluíram em 4,67 anos em média, o que representa uma redução face às coortes de 1995-97 (5,54 anos). A duração regulamentar dos programas doutorais em Portugal é tipicamente de 3 a 4 anos. Os dados referem-se a bolseiros FCT e podem não ser representativos de todos os doutorandos.
Qual a taxa de emprego dos doutorados em Portugal?
Segundo o Inquérito aos Doutorados CDH 2023 da DGEEC, 95% dos doutorados residentes em Portugal estavam empregados. A maioria trabalha em universidades e institutos politécnicos (77%), seguidos do Estado (11%) e das empresas (10%). Um estudo sobre ex-bolseiros FCT identificou que 68% tinham contrato permanente e 32% contratos a prazo em 2020, com uma taxa de desemprego de 2,3%.
Como se compara Portugal com outros países europeus em doutoramentos?
Portugal posiciona-se abaixo da média europeia em vários indicadores. Em 2022, os doutores representavam 0,9% da força laboral portuguesa face a 1,3% na média OCDE. Em 2023, apenas 36,1% dos novos inscritos em programas de doutoramento em Portugal tinham menos de 30 anos, colocando o país no 36.º lugar entre 41 países avaliados pela OCDE (Education at a Glance 2025). O crescimento da última década é, porém, expressivo: +73% no stock de doutorados desde 2012 (DGEEC CDH 2023).
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