Estudantes Internacionais no Ensino Superior em Portugal 2026: Dados, Países de Origem e Tendências (DGEEC)
Portugal tornou-se um dos destinos europeus com maior proporção de estudantes internacionais no ensino superior: 13,3% do total de inscritos em 2023, face a uma média OCDE de apenas 7,4% (OCDE, Education at a Glance 2025). No ano letivo 2025/2026, os dados preliminares do RAIDES 2025 da DGEEC registam 447.680 estudantes inscritos — o valor mais alto da última década —, dos quais 57.581 estão em mobilidade de grau (diploma completo) e 14.968 em mobilidade de crédito (intercâmbio temporário) (DGEEC, abril 2026). O que nos dizem estes números sobre a transformação do ensino superior português?
Esta peça reúne, fonte a fonte, os dados do RAIDES (Registo de Alunos Inscritos e Diplomados do Ensino Superior), da OCDE e do Eurostat para oferecer uma referência citável sobre a internacionalização do ensino superior em Portugal — a dimensão do fenómeno, os países de origem, a distribuição por nível de ensino e as perspetivas para os próximos anos.
Em 2025/2026, Portugal conta com cerca de 72.549 estudantes internacionais no ensino superior: 57.581 em mobilidade de grau e 14.968 em mobilidade de crédito (DGEEC/RAIDES 2025, abr. 2026). O Brasil é o primeiro país de origem, seguido pelos PALOP (Guiné-Bissau, Angola, Cabo Verde). Com 13,3% de estudantes internacionais no total de inscritos (2023), Portugal supera em quase o dobro a média da OCDE.
Quantos estudantes internacionais há em Portugal (2025/2026)?
O inquérito RAIDES 2025, conduzido pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), recolheu dados referentes aos estudantes inscritos a 31 de dezembro de 2025. Os resultados preliminares, divulgados em abril de 2026, apontam para 447.680 inscritos no total — um aumento de 6.705 face ao ano letivo anterior e o valor mais elevado da última década. Os estudantes internacionais distribuem-se por dois regimes distintos:
| Tipo de mobilidade | N.º de estudantes | Fonte |
|---|---|---|
| Mobilidade de grau (diploma completo) | 57.581 | DGEEC/RAIDES 2025, abr. 2026 |
| Mobilidade de crédito (intercâmbio temporário, inc. Erasmus+) | 14.968 | DGEEC/RAIDES 2025, abr. 2026 |
| Total estimado | ~72.549 | Cálculo com base em RAIDES 2025 |
A mobilidade de grau registou um crescimento tanto em termos absolutos como em quotas de nível — os mestrados, em particular, viram a mobilidade de grau crescer 8% e a mobilidade de crédito crescer 35% face ao ano letivo anterior (DGEEC/RAIDES 2025, abril 2026). Estes dois regimes têm perfis de origem e permanência muito distintos, como se verá nas secções seguintes.
Evolução histórica: de 2015 a 2026

A internacionalização do ensino superior português acelerou de forma sustentada ao longo da segunda metade da última década. Depois de o ensino superior atingir o mínimo recente de 358.450 inscritos em 2015/2016, a recuperação foi constante, impulsionada tanto pelo crescimento dos estudantes nacionais como, de forma crescente, pelo contingente internacional. A tabela seguinte sintetiza os principais marcos:
| Ano letivo | Total inscritos | Estudantes internacionais | % do total | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| 2015/2016 | 358.450 | N.d. | ~7,9% (ref. 2018) | DGEEC; OCDE EAG 2025 |
| 2021/2022 | 433.217 | 69.965 | ~16,2% | DGEEC/RAIDES22 |
| 2022/2023 | 446.028 | 74.597 | 16,5% | DGEEC/RAIDES22 |
| 2023 (ref. OCDE) | — | — | 13,3% | OCDE, EAG 2025 |
| 2025/2026 (prel.) | 447.680 | ~72.549 | ~16,2% | DGEEC/RAIDES 2025, abr. 2026 |
Nota metodológica: A OCDE calcula a proporção de «estudantes internacionais» segundo a metodologia ISCED, que pode diferir ligeiramente dos totais RAIDES por razões de definição (país de residência habitual vs. país de conclusão do ensino secundário). Os valores RAIDES incluem mobilidade de grau e de crédito. A discrepância entre a percentagem OCDE (13,3% em 2023) e a percentagem RAIDES (~16,5% em 2022/2023) reflete estas diferenças metodológicas.
A interrupção pandémica de 2019/2020 e 2020/2021 afetou principalmente os programas de intercâmbio de curto prazo (Erasmus+), mas não travou o crescimento da mobilidade de grau. A retoma pós-pandemia foi particularmente intensa nos mestrados, cujo peso nos fluxos internacionais continuou a crescer até 2025/2026.
Países de origem: Brasil lidera, PALOP dominam

A geografia de origem dos estudantes internacionais no ensino superior em Portugal é marcada pela afinidade linguística e histórica. Segundo a OCDE (Education at a Glance 2025), 42% dos estudantes internacionais móveis em Portugal provêm de África e mais de 30% da América Latina e Caraíbas — proporções muito acima da maioria dos países da OCDE, onde a diversidade geográfica de origem é maior.
| País de origem | 2022/2023 | 2024/2025 (aprox.) | Fonte |
|---|---|---|---|
| Brasil | 17.028 | ~15.000 | DGEEC/RAIDES22 e RAIDES24 |
| Guiné-Bissau | 6.910 | 6.276 | DGEEC/RAIDES22 e RAIDES24 |
| Angola | 5.292 | 5.856 | DGEEC/RAIDES22 e RAIDES24 |
| Cabo Verde | 6.440 | 5.144 | DGEEC/RAIDES22 e RAIDES24 |
| França | 3.406 | 3.625 | DGEEC/RAIDES22 e RAIDES24 |
O Brasil mantém-se na primeira posição absoluta, ainda que com uma ligeira retração entre 2022/2023 e 2024/2025 — possível reflexo do crescimento da oferta universitária interna no Brasil e de alguma reorientação para outros destinos europeus. Angola é o PALOP com evolução mais positiva no período: passou de 5.292 para 5.856 inscritos em mobilidade de grau, uma subida de 10,6% (DGEEC/RAIDES22 e RAIDES24). A Guiné-Bissau, apesar de uma ligeira descida em termos absolutos, continua a ser um dos países com maior crescimento proporcional na última década — no início dos anos 2010 os seus estudantes em Portugal eram contados às centenas; hoje chegam a vários milhares (DGEEC).
Em conjunto, os cinco PALOP (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe) representam uma fatia muito expressiva dos estudantes internacionais. Este padrão reflete não apenas a atratividade das instituições portuguesas mas também as redes de mobilidade estabelecidas ao abrigo de acordos bilaterais e do estatuto especial atribuído aos cidadãos da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).
A mobilidade de crédito (intercâmbio temporário) apresenta uma composição geográfica diferente: é dominada por estudantes europeus, com particular destaque para Espanha, Itália, Brasil e Alemanha, conforme os dados do RAIDES22 (DGEEC, 2022/2023).
Mobilidade de grau vs. mobilidade de crédito (Erasmus+)
Compreender a distinção entre os dois regimes de mobilidade é essencial para interpretar os dados corretamente:
- Mobilidade de grau: o estudante internacional vem a Portugal com o objetivo de concluir um ciclo completo de estudos — licenciatura, mestrado ou doutoramento. Em 2022/2023 somavam 55.775; em 2025/2026, 57.581 (DGEEC/RAIDES22 e RAIDES 2025). São maioritariamente originários de países lusófonos — Brasil e PALOP — e permanecem em Portugal durante vários anos.
- Mobilidade de crédito: o estudante frequenta Portugal temporariamente, por norma um ou dois semestres, no âmbito de programas de intercâmbio como o Erasmus+ ou acordos bilaterais. Em 2022/2023 eram 17.822; em 2025/2026, 14.968 (DGEEC/RAIDES22 e RAIDES 2025). São predominantemente europeus (Espanha, Itália, Alemanha) e não concluem o grau em Portugal.
| 2022/2023 | 2025/2026 (prel.) | Variação | Fonte | |
|---|---|---|---|---|
| Mobilidade de grau | 55.775 | 57.581 | +3,2% | DGEEC/RAIDES22 e RAIDES 2025 |
| Mobilidade de crédito | 17.822 | 14.968 | −16,0% | DGEEC/RAIDES22 e RAIDES 2025 |
A ligeira descida na mobilidade de crédito contrasta com o crescimento robusto da mobilidade de grau, sugerindo que a internacionalização do ensino superior português assenta cada vez mais em estudantes que chegam para ficar — e que contribuem de forma duradoura para o ecossistema académico e para o mercado de trabalho português.
Por nível de ensino: mestrado como motor de internacionalização

Os dados do RAIDES 2025 (2025/2026) permitem decompor a mobilidade por ciclo de estudos. O mestrado emerge como o nível mais dinâmico:
| Nível | Mobilidade de grau | Mobilidade de crédito | Fonte |
|---|---|---|---|
| Licenciatura (1.º ciclo) | 21.985 | 9.980 | DGEEC/RAIDES 2025, abr. 2026 |
| Mestrado (2.º ciclo) | 22.736 | 4.739 | DGEEC/RAIDES 2025, abr. 2026 |
| Doutoramento (3.º ciclo) | Em crescimento; sem desagregação publicada | DGEEC/RAIDES 2025, abr. 2026 | |
O mestrado é já o nível com o maior número absoluto de estudantes em mobilidade de grau (22.736, superando os 21.985 da licenciatura), e foi o que registou crescimento mais acelerado: +8% na mobilidade de grau e +35% na mobilidade de crédito face ao ano anterior (DGEEC/RAIDES 2025, abril 2026). Este padrão reflete a aposta estratégica das universidades portuguesas em programas de mestrado lecionados em inglês e em língua portuguesa, frequentemente acreditados no espaço europeu de ensino superior ao abrigo do Processo de Bolonha.
Para os estudantes de doutoramento, as bolsas FCT constituem um mecanismo de atração relevante: a Fundação para a Ciência e a Tecnologia financia doutorandos de múltiplas nacionalidades, o que contribui para o contingente internacional no 3.º ciclo e para a produção científica das instituições portuguesas.
Portugal no contexto da OCDE
A posição de Portugal na escala internacional é notável. Segundo a OCDE (Education at a Glance 2025), em 2023 Portugal tinha 13,3% de estudantes internacionais no ensino superior, quando a média da OCDE era de 7,4% — uma diferença de 5,9 pontos percentuais. Em 2018, a percentagem portuguesa era de 7,9%, próxima da média da OCDE à data; a aceleração da internacionalização ao longo de cinco anos foi, portanto, muito superior à dos restantes países membros.
«Em Portugal, grandes proporções de estudantes internacionais móveis provêm de África (42%) e da América Latina e Caraíbas (mais de 30%), o que reflete os laços históricos e culturais e a importância da língua de estudo.»
— OCDE, Education at a Glance 2025
Esta concentração lusófona diferencia Portugal da maioria dos países da OCDE, onde a internacionalização é geograficamente mais dispersa. A língua portuguesa funciona simultaneamente como fator de atração para a comunidade CPLP e como barreira de entrada para estudantes de outras regiões sem familiaridade com o português — como a Ásia Oriental ou partes da Europa Central. A criação de programas em inglês é a resposta institucional mais comum para superar este limite.
A proporção de estudantes internacionais coloca Portugal entre os países europeus com maior nível de internacionalização do ensino superior — um posicionamento que combina a tradição histórica da lusofonia com uma estratégia deliberada de recrutamento internacional para compensar o declínio demográfico doméstico.
Acesso, propinas e apoios sociais
Do ponto de vista do acesso, os estudantes internacionais podem candidatar-se ao ensino superior em Portugal por via do Concurso Especial para Estudantes Internacionais, coordenado pela Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), ao abrigo da Portaria n.º 111/2019. Este regime distingue-se do Concurso Nacional de Acesso, que se destina aos estudantes que concluíram o ensino secundário em Portugal.
Quanto às propinas no ensino superior em Portugal, os estudantes internacionais não-UE estão sujeitos, em regra, a valores diferentes dos aplicados aos estudantes nacionais ou comunitários. Nas universidades públicas, as propinas para estudantes fora da União Europeia podem variar significativamente de instituição para instituição e de curso para curso. Os estudantes com estatuto CPLP beneficiam de condições de equiparação parcial, o que facilita o acesso a brasileiros e originários dos PALOP.
A bolsa de ação social do ensino superior pode ser acessível a estudantes internacionais residentes em Portugal que cumpram determinados critérios, embora as condições sejam mais restritivas do que para os estudantes nacionais. Para os mais vulneráveis financeiramente, os Serviços de Ação Social das instituições dispõem ainda de outros apoios complementares.
Perspetivas e desafios para 2026
A tendência de crescimento do número de estudantes internacionais no ensino superior em Portugal está ancorada em condições estruturais com horizonte longo. A expansão do acesso à educação superior nos países lusófonos, a valorização dos diplomas portugueses no mercado ibero-americano e as redes de emigrantes que funcionam como pontes de recrutamento são fatores com persistência temporal considerável.
Contudo, dois desafios sistémicos merecem atenção. O primeiro é a sustentabilidade do modelo: uma concentração excessiva em fluxos oriundos dos PALOP implica vulnerabilidade a mudanças nas políticas de migração ou ao reforço das capacidades educativas internas desses países — o que as próprias autoridades portuguesas reconhecem publicamente. A taxa de abandono no ensino superior é um indicador a monitorizar de perto: quando afeta desproporcionalmente estudantes internacionais — que podem enfrentar barreiras linguísticas, financeiras e de integração —, questiona a eficácia do modelo de internacionalização.
O segundo desafio é a diversificação geográfica. As instituições portuguesas têm procurado atrair estudantes de países asiáticos, africanos não-lusófonos e europeus de leste, essencialmente através de programas em inglês. Mas o caminho é longo: em 2023, mais de 70% dos estudantes internacionais em Portugal continuavam a provir de países de língua portuguesa (OCDE EAG 2025).
A empregabilidade dos diplomados do ensino superior é outro vetor relevante para a internacionalização: estudantes internacionais que ficam em Portugal após a conclusão do grau enriquecem o mercado de trabalho num país com necessidades crescentes de mão de obra qualificada; os que regressam ao país de origem fortalecem os laços económicos e culturais. Em ambos os casos, a qualidade académica e a integridade dos diplomas emitidos são a principal alavanca de reputação internacional.
Perguntas frequentes
Quantos estudantes internacionais estão inscritos no ensino superior em Portugal?
No ano letivo 2025/2026, estão inscritos cerca de 72.549 estudantes internacionais: 57.581 em mobilidade de grau e 14.968 em mobilidade de crédito, segundo dados preliminares do RAIDES 2025 da DGEEC (abril 2026). Em 2022/2023, o total era de 74.597, representando 16,5% do total de inscritos (DGEEC/RAIDES22).
Qual é o principal país de origem dos estudantes internacionais em Portugal?
O Brasil é o principal país de origem, com 17.028 estudantes em mobilidade de grau em 2022/2023 e cerca de 15.000 em 2024/2025 (DGEEC/RAIDES). Seguem-se os PALOP: Guiné-Bissau (6.276 em 2024/25), Angola (5.856) e Cabo Verde (5.144). Em conjunto, África representa 42% e a América Latina e Caraíbas mais de 30% dos estudantes internacionais (OCDE, Education at a Glance 2025).
Qual é a proporção de estudantes internacionais em Portugal comparada com a média da OCDE?
Em 2023, Portugal tinha 13,3% de estudantes internacionais no ensino superior, quase o dobro da média OCDE de 7,4% (OCDE, Education at a Glance 2025). Esta proporção cresceu desde 7,9% em 2018 — um aumento de 5,4 pontos percentuais em cinco anos, muito acima da evolução média dos países da OCDE.
Como se candidatam os estudantes internacionais ao ensino superior em Portugal?
Os estudantes internacionais candidatam-se através do Concurso Especial para Estudantes Internacionais, coordenado pela DGES (Direção-Geral do Ensino Superior), ao abrigo da Portaria n.º 111/2019. Os cidadãos da CPLP (incluindo brasileiros e originários dos PALOP) têm acesso a condições de equiparação parcial com estudantes nacionais, o que facilita o processo de candidatura.
Qual o nível de ensino com crescimento mais acelerado de estudantes internacionais em Portugal?
O mestrado (2.º ciclo) é o nível com crescimento mais dinâmico: em 2025/2026, registou 22.736 estudantes em mobilidade de grau e 4.739 em mobilidade de crédito, com aumentos de 8% e 35%, respetivamente, face ao ano letivo anterior (DGEEC/RAIDES 2025, abr. 2026). É também o único nível em que a mobilidade de grau supera já a da licenciatura em termos absolutos.
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